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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Ao largo de Belinho

João-Afonso Machado, 22.05.14

A ausência de areia na praia, aquele caldo de algas, a vastidão do espaço quase sem vivalma - tudo lança a suspeita sobre as águas de Belinho, Esposende. Um mar espumoso, refilão, a apedrejar-nos as pernas pelos séculos adiante. Onde manda a prudência se tome banho de chuveiro, apenas, justamente quando os godos e o sol já nos maceram e assam as carnes. 

E um mar de segredos bem guardados. Como uma caixa-forte cuja porta, tantas gerações depois, se abriu agora misteriosamente: lá dentro, a história por contar de uma galeão quinhentista naufragado ao largo de Belinho; à costa vão dando restos variados, muita cerâmica e objectos em estanho.

E o macabro achado das ossadas? Quem seriam as vítimas desgraçadas do afundamento? Gente nossa? Dezenas? Centenas?

Os fundos marinhos são medo e encanto. Porquê só agora o "acordar" do galeão fantasma? Que mais nos trará às mãos?

A municipalidade de Esposende congemina já um museu ou, pelo menos, o aproveitamento turístico da descoberta. Nada mais apropriado. Com um bocadinho de sorte estamos perante o Licorne ou o galeão apresado por Rackam o Terrível.