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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

E depois de Maio?

João-Afonso Machado, 03.05.14

A decisão - agora sim, parece que definitiva - da saída de Portugal do programa de ajustamento directamente para os mercados, sem recurso a medidas cautelares e com o apoio dos parceiros europeus, já suscitou as habituais reacções da Esquerda mais obtusa - que a Troika vai mas fica a pobreza, que assim obrigado, todos a apertar o cinto, etc, etc. Como se a "crise" não fosse isso mesmo, as dificuldades a baterem-nos à porta - à porta de todos, com excepção da rapaziada da política e dos sindicatos - e a mandarem-nos um sortido imenso de privações, designadamente de natureza fiscal.

É o Estado e a sua obesidade intratável. Enquanto os portugueses não ousarem optar pela recta anarquia, dando a voz ao Poder Local, não se legitimarão S. Ex.cias para criticar quem quer que seja, ou chorar quaisquer misérias suas. Mas essa é outra questão e hoje, aliás, não é dia de apologética. Somente de alguma especulação sobre a reacção do inefável PS à sobredita notícia.

Os socialistas não podem baixar os braços nem reconhecer méritos alheios. Em cada socialista há, por regra, um sócratinhos escondido, e vai daí... Mas como sair desta onde, consta, os países da UE se disponibilizaram já para apoiar Portugal em caso de necessidade? A quem atribuiram uma medalha de bom comportamento, tal qual a Irlanda?

Parece evidente que o PS tentará uma saída pela porta da esquerda, fazendo coro com os comunistas na critica à governação da Direita. Vencendo, como é de supor, as eleições europeias ajustarão depois o discurso nas instâncias correlativas, porque com essa gente, menos desmemoriada, não se brinca. E, enfim, sofrerão a partida - tão saborosa quão involuntariamente pregada - de ganhar as próximas Legislativas. Já imaginaram os dirigentes do PS às aranhas com as artes orçamentais, decidindo igualzinho ou pior do que os artistas PSD?

Os verdadeiros homens são sempre homens de fé - e, desta vez, de certeza os portugueses não vão esquecer esta imprescindível comparação.