A comezaina estatal (social?)
Nem mesmo se a discussão fosse ideológica a desculpa seria maior. Assentemos as ideias: o "Estado Social" surgiu, conceptualmente, com Marcelo Caetano, em finais da II República. Não é, por isso, uma invenção socialista. Nem interessa saber quando, o facto é que, no correr dos tempos, o aparelho estatal foi crescendo desmensuradamente, ao ponto de se tornar incapaz de se alimentar a si próprio. Tal a voracidade com que chamava a si vorazes comedores descuidados de outra forma de sustento.
A breve trecho, passaram os cidadãos a dar de comer ao Estado, em vez de este a providenciar o bem-estar daqueles. Como? Obviamente através da carga fiscal.
Entre a demagogia eleitoralista e a despesa pública (do dito Estado) gerou-se o famigerado deficit.
Torneando a questão, a Oposição criou um discurso novo - o do ataque ao neo-liberalismo. Na realidade, um meio de captar simpatias entre um povo inteiro que havia de - pela dita via dos impostos - aguentar o equilibrio das contas até o mencionado desmando se esbater.
Nesta ordem de ideias, a opção pela chamado desenvolvimento económico é puro sofisma. Um país não cresce em produtividade de um mês para o outro, mas todos os meses os funcionários públicos aguardam o seu vencimento, o seu ganha-pão. Ninguém tem razão, todos têm razão...
Assim o problema subsiste. Na formulação da Esquerda, o Estado Social existe por causa de e para os cidadãos. Como não há como o manter, taxam-se os contribuintes especialmente para esse efeito. Contas feitas: nós pagamos o Estado Social para que este nos custeie. Se calhar haveria meios de obter, menos complicadamante, o mesmo resultado final.
E, entretanto, entre greves e outras formas de protesto, a economia nacional não descola...
