Carnavalices que já lá vão
O Carnaval é quase menos de nada, dizem muitos e eu também. Opiniões... Mas, na hora de regressar ao sossego que a minha veneranda idade impõe, fui percebendo a confluência imparável de disfarces rumo ao centro da cidade, e a curiosidade despontou. Peguei na máquina fotográfica a seguir-lhes o rasto.
Fiat lux! Era uma multidão lá em baixo. Mascarado de mirone, observando, tudo era arredio da tontice do famigerado corso que mata um pouco de Portugal cada vez que sai à rua pelas terrinhas que sabemos e os jornais propagandeiam. Em Famalicão, o Brasil não manda! Não é o desfile nem as concomitantes momices. Menos os pneus abdominais e úberes fartos, saracoteantes. Nem quaisquer estrelas de telenovela importados ou contratados a curto prazo, reinando a coisa.
Era apenas a população local. Milhares de pessoas. Aos pares, em grupos maiores, individualmente.
É certo, no epicentro do terramoto, vibrava um palco de música de duvidoso gosto. Mas alguém pensaria o contrário? O bailarico é sempre imprescindivel. O resto era organizado sob a sublime forma da desorganização total. O facto é que, sem horários nem polícia, as gentes divertiram-se, noite adiante. À portuguesa.
