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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

O traçado republicano

João-Afonso Machado, 16.01.14

Agatão Lança foi primeiro-tenente da Armada e deputado já na recta final da I República. Enquanto parlamentar, legou à História algumas curiosas intervenções como, por exemplo, esta: «Prevejo grandes dissabores, se for levada a efeito a projectada viagem ao Brasil do venerando Chefe do Estado, como se anuncia na declaração ministerial. S. Ex.cia o Presidente da República será conduzido num navio de guerra do Brasil ou então irá a bordo de qualquer paquete mercante, como qualquer caixeiro viajante. Que vergonha para o País e que tristeza para a sempre honrada armada portuguesa!». Isto porque, ainda segundo o mesmo, «a marinha de guerra, conforme está, é uma coisa inútil, que deve suprimir-se ou, então é absolutamente necessário remodelá-la profundamente».

(Parece que, efectivamente, o PR atravessou então o Atlântico num navio mercante, numa viagem assinalada por paragens por falta de carvão, rebentamento de caldeiras, etc...).

Sobrevindo a II República, Agatão Lança manter-se-ia fiel à sua irmã mais velha, razão porque conheceu a deportação e o exílio em Angola e Paris e, por fim, a clandestinidade e a prisão em território nacional.

Era natural de  Viariz, no concelho de Baião, e um não desprezivel proprietário. Designadamente de uma alentada casa e de toda uma quinta a circundá-la.

Maçon iniciado em 1913 na loja A Revolta, com o nome simbólico Robespierre, terá sido ele a transformar a capela do seu "palacete" em qualquer coisa onde literalmente se depositariam o pão e o vinho. Um celeiro. E, enquanto a construção aumentava, o seu templo de outrora amesquinhava-se e hoje dele só temos a percepção resultante de umas peças graniticas ainda conservadas na beirada do telhado. Uma cruzita lá deixada por esquecimento...

A casa não é uma ruína. Mas é igualmente tristonha, estranhamente calada, parecendo dormir o sono de uma maldição. Marca indelével de que a República passou por terras de Baião.