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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Sobre a nova moda do Panteão

João-Afonso Machado, 12.01.14

António Lobo Xavier, numa recente Quadratura do Círculo, questionava com muita argúcia, a propósito das programadas novas levas para o Panteão Nacional, qual o critério de escolha dos "heróis" que presentemente lá jazem. Porquê Aquilino, Guerra Junqueiro, João de Deus, Humberto Delgado, o Marechal Carmona ou Sidónio Pais e Teófilo Braga?

Evidentemente, o decurso da conversa não pôs em causa o lugar que no Panteão ocupam Nuno Álvares Pereira, o Infante D. Henrique e Pedro Álvares Cabral e Afonso de Albuquerque. Essas figuras de proa na História lusa, por enquanto, permanecem intocadas...

No mais, ressalta a proeminência do critério político na "eleição" dos dignitários. Sirvam de exemplo os quatro Presidentes da República para lá trasladados: Manuel de Arriaga e Teófilo, Sidónio Pais, Carmona.

Estamos na iminência de mais uma acalorada discussão...

As razões de escolha confundem-se, quando, precisamente, as águas se deviam clarificar.

Se se há de atender à popularidade dos escolhidos - então Eusébio tem lugar garantido no Panteão.

Se vamos mais pela notoriedade - pois reconheça-se a ser justo convocar Saramago, outro nome já referenciado.

Se, finalmente, atendermos à essencialidade - Sophia de Mello Breyner Andresen há muito devia lá estar.

Mais. Se atendessemos à essência da pessoa em vida e da sua obra - essência esta que é a da alma da Nação - as paixões políticas que determinaram tantas opções já concretizadas haviam de ser rectificadas e tolhidas de futuro. Porquê Junqueiro, um panfletário, porque não Camilo, um génio da literatura? Ou Antero? Ou Eça e Ramalho?

O que pretendo dizer é, tão-só, ser Eusébio, sem dúvida, um dos portugueses mais populares dos últimos tempos. Ponto. Saramago um nome notório, mais não seja (ou apenas) pelo Nobel que lhe foi atribuído. Ponto. E Sophia alguém que nem será conhecido da maioria dos portugueses de hoje os quais Ela, brilhante e grandiosamente - essencialmente -  soube conhecer, interpretar e simbolizar.

Ignoro em que ficará a história do Panteão Nacional. Mas algo me diz, a continuar o País a ser comandado pelos jornais, redes sociais e partidos à caça de votos, entre os vivos (e oxalá o sejam por muitos e bons anos ainda) o próximo candidato será CR7. E talvez mesmo José Mourinho...

 

 

 

 

 

Em vésperas de novidades?

João-Afonso Machado, 12.01.14

Manhãs de nevoeiro assim são raras. Mas têm o seu sabor. Húmidas até ali, não gélidas, pelo contrário. E de um silêncio subitamente quebrado pela ampliação do som na cortina cinzenta pairante. Em suma, a pedir passeio.

Com o cronómetro perdido, ou reencontrado, e a terra enchumbada pelas chuvas de tantos dias. Pesada, rasteirando o andar pelas canelas em todo o verde dos campos. O galope das pequenas mais frouxo, vai não vai um sobressalto, a sua espantada expressão ante o agudo zurrar das burras. Foi assim até à hora do almoço. 

De tarde Tareja recebeu um novo amigo. Recentemente conhecido, uma espécie de amor à primeira vista, já não é uma freirinha. Há-de ter sido um fim-de-semana em cheio...

Mécia... um caso raro de traquinice. Alheia a todos os avisos, em absoluto desprezo pelas mais elementares regras da prudência. Foi muro abaixo, salvou-a a cama de silvas e um braço felizmente logo ali, a puxá-la arriba. Nem pestanejou! E anda agora com a mania de que quer uns óculos, vai dedicar-se à literatura! Enfim...

Neste tranquilo quotidiano, ou muito me engano ou teremos grandes novidades para breve.