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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Tormes!

João-Afonso Machado, 07.01.14

Era como se ouvissemos o arfar de Jacinto Galeão desde o rio, lá em baixo,  e os passos arrastados do burrico carregando a bagagem. Tormes e Eça, em boa verdade, não são muito mais do que isso. Talvez aquela outra viagem, em que ele mesmo foi visitar as propriedades da Mulher e dormiu numa hospedaria de Penafiel, em cima de uma mesa para fugir aos percevejos da cama... Quando se refastelou em bons comeres, já em Tormes, assim escrevendo ao Conde de Arnoso - «Depois parei nas serranias do Douro, em Santa Cruz - onde fiquei dois dias a descansar (quase diria a convalescer) do tremendíssimo almoço com que o meu caseiro me honrou, logo na manhã da chegada, às dez horas de uma doce manhã! O prato mais ligeiro era um anho assado. Na cabidela entrava toda uma capoeira. Sobre a mesa, em vez de garrafa, pousava um pipo! Honrei o festim - depois foram os dois dias de cansaço e digestão, sentado numa pedra, debaixo de um castanheiro».

Enfim, Eça de Queiroz esteve lá. Onde é agora a sua casa-museu. O santuario queirosiano em que ainda reside uma neta. Ou melhor: a viúva de um seu neto. Mas o culto pede-nos sintamos em tão amável Senhora o sangue do artista. Ecos guardados nas suas acolhedoras palavras de anfitreã, contando histórias de quem por não muito não conheceu pessoalmente. E também naquela pormenorizada colecção de haveres e recordações, a cabaia, a mesa onde burilava à pena os seus textos, livros e livros e livros...

Em Santa Cruz do Douro. Desta feita, descendo de Baião, no conforto do automóvel, mas sempre em demanda de uma milagreira osmose, a arte de Eça, a sua visão da sociedade, da política, do mundo.