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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Conhecem Amarante?

João-Afonso Machado, 05.01.14

 O início da tarde, depois da tormenta nocturna, principiava animadamente. Em Amarante e na parceria de bons amigos, gente de passear agradabilíssimo. Com o sol a impôr-se à escuridão nebulenta e os amarantinos assomando à porta das casinhas de bem comer ao longo da rua, era só escolhermos.

Conduzido por quem de confiança, lá nos regalámos com o presunto e o paio, o queijo de ovelha, o branco fresquinho. Foi o almoço, em doses abundantes de conversa com os da terra. Nada a assinalar quanto a desastres. Somente o Tâmega entrara em fúria, rosnava acastanhadamente, a praia fluvial ficara um bom par de metros abaixo da fotografia

(Mas, escreveu Teixeira de Pascoaes, que era dali, «somos apenas a transição do futuro para o passado, um movimento de esperança para a lembrança». O Saudosismo - acrescento eu - é, literáriamente uma aprazível corrente, conquanto apresente os seus perigos transportado para o quotidiano...)

e o S. Gonçalinho dos casamentos e a ponte robusta de tanto granito, imagem e monumento à resistência nossa - lá me deixo escorregar outra vez para o Saudosismo... - à invasão francesa de Soult, tudo era já gente enxuta, falares animados, aquele vagar de um sábado que se preza de ignorar labutas.

À sobremesa, a pastelaria. E a varanda sobre o furibundo Tâmega, as paredes traçadas com datas funestas de cheias de outrora, a arte das pescarias fumegando com o costumeiro cafezinho.

Já não meço no tempo, nem na saudade, a minha derradeira estadia em Amarante. Lembro apenas o tribunal, um julgamento e o canário na sua gaiola, oferecido pela minha constituinte. O mais é sempre o mesmo: in casu, a A4, a acelerar-nos a vida... Com Amarante, tão bela sempre ali, sempre à nossa espera.