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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

S. Torcato, não e sim

João-Afonso Machado, 15.12.13

O Santo está lá, em lugar de relevo, vestes de arcebispo seguramente não do século VIII, quando foi martirizado pelos invasores árabes. Estranha percepção da distância do tempo, imaginar os maometanos cavalgando e matando assim, ali mesmo ao lado de Guimarães. Mas o Santo - S. Torcato - acomodado naquela vitrine, os seus restos mortais de um cinzento talvez confrangedor, porque não deixá-los descansar em paz, fora do alcance de tantos pares de olhos dos seus veneradores? Confesso, é de outro modo que concebo o culto, a fé, a devoção.

E sobre o Santo, o santuário. Em si mesmo nada  de deslubrante, além das dimensões, da sua formidavel força, como se eruptisse da terra, pináculos pontiagudos, qual templo gótico, flamengo, palco de intrigas e disputas. Reduzido, afinal, à dimensão de um tema de referência na escrita que actualmente se vende melhor.

Ao longe, erguendo-se acima das serranias, a igreja imensa justifica-se, como se lançando um pouco de água benta naquele casario tipicamente de arrabalde citadino.

 

 

De retorno ao costume

João-Afonso Machado, 15.12.13

Portanto, se bem alcanço - acabado de chegar de outras andanças - o País político está calmo. É uma impressão, apenas. Mas, olhando de relance, o que há por aí? Os três maiores da lusa futebolidade este ano muito a par, jogando de igual para igual; a morte de Mandela a dar pano para muitas mangas, sobretudo - grande pacificador! - a distrair Mário Soares, puxando a sua vaidade para as memórias da intimidade com que tratava o defunto líder africano; e os sindicalistas aparentemente submetidos à força do aforismo - uma andorinha não faz a Primavera - assim como meia duzia de exaltados não produzem tumultos de maior.

A Oposição berra como é sua obrigação e os desentendimentos entre o Governo e Seguro, à conta do IRC, são de natureza técnica, maçadora, nem sequer se trata de um tema mais candente, como o de um eventual IRS a entrar víperinamente nos nossos próprios bolsos.

De modo que este ensolarado domingo vai muito bem para um belo passeio ou para as compras de Natal - de quem possa e goste de as fazer. No mais, é só não esquecer aquele natural automatismo de logo à noite - o de mudar de canal logo que Sócrates começar a debitar torpezas.

 

 

Futebol, o rei

João-Afonso Machado, 12.12.13

J:\FOTOS\V. N. FAMALICÃO\CIDADE\FAMALICÃO-SPORTI

Depois de cada dia D, ao longo da semana, tendencialmente todos os dias da semana (sendo que ao domingo - estou a falar de futebol - cada vez se descansa mais), o País pára à noite e escuta. Escuta a sabedoria imensa dos comentadores da bola, através de uma oferta diversíssima em não sei quantas opções da Televisão.

Dediquei ao tema alguns minutos da minha atenção para entender o que se passa. Basicamente, a avaliação da forma deste ou daquele jogador, os famosos «casos», em que a exaltação de ânimos salta relvados e bancadas para o meio-campo dos intervenientes no debate - e tudo por causa de um penalty ou de um árbitro aterrado, escondido, alvo da fúria incontida de multidões; a argúcia dos treinadores, a antevisão da emocionante «chicotada psicológica» fazem também a delícia dos ditos eloquentes comentadores.

Quanto a estes, de tudo um pouco. O futebolista de outros tempos, aposentado e habilitado em conversa; o coach precavido, atento aos rumos possiveis de um futuro sem presente entre as hipóteses futebolísiticas... e o filósofo. O omnisciente filósofo! Aprimorado, abrilhantinado, garridamente engravatado, um gavetão imenso de dados, estatísticas, memórias, referências. Um autêntico computador, até em parecenças físicas.

Assim, se bem alcanço, milhões de portugueses passam os seus serões. Pregados ao televisor e a semelhante palração. Na qual, aliás, há já muito político a marcar golos, quero dizer, a não se deixar passar despercebido. Restará saber se o futebol é um trampolim ou um estaleiro desta gente oriunda dos partidos.

Feitas as contas finais, a coisa é fácil: basta a subscrição do Sport TV e todo o dia e toda a atenção nos jogos. Um bloco-notas e uma contabilidade simples: quantos passes fez um craque, quantos remates errou o outro...

O pior (para eventuais aspirações profissionais que me assolassem..) é que uma boa companhia,  uma revista de automóveis clássicos, a traiçoeira soneca, tudo contribui para a minha inaptidão na matéria.

O que não tira o futebol seja rei e Oliveira Salazar, pelos vistos, tivesse razão. Conforme lha reconhecem as administrações dos canais televisivos.

 

 

Pindela ao longo do tempo. Nós

João-Afonso Machado, 10.12.13

A perspectiva de falar de mim próprio, confesso, não foi inicialmente simpática. E é disso que se trata, quando se historia uma casa construida pelo nosso sangue, eu sei tantas vezes argamassada com lágrimas soltas por corações de geração em geração a pulsar até aos dias actuais. Até estes de que dependem os corpos hoje moventes, amanhã em repouso na eternidade do espírito.

Fiquei pouco à vontade. Mas acabei concluindo haver para contar. E assim me dispus a um apontamento escrito, destinado a ser publicado também, onde se contém património próprio que o é, ainda, de V. N. de Famalicão.

Tudo começou pelos meados do século XV. Tudo - são guerras, conflitos, saborosos momentos de paz e lazer, vitórias e derrotas - a orgulhosa companhia das vitórias, a resignada percepção de derrotas - que só não afectaram a coerência das pessoas. A nossa. A vida deve ser isso mesmo. Como poderão apreciar, ao longo de quase seis centúrias de Pindela.

Lá estarei, portanto, no próximo dia 13, na Casa do Território do Parque da Devesa.

 

O fim da recessão

João-Afonso Machado, 09.12.13

Se não me engano, o fim da recessão económica significa que a (nossa) economia deixou de caminhar em perda. Quero dizer, revitalizou-se. Recuperou, enfim, tomou o rumo do crescimento.

Se não me engano, também, o INE é uma entidade credível, e os dados que fornece um indicador credivel seja lá o que for caso a demonstrar.

Se não me engano, ainda, o fim da recessão económica anunciado pelo INE deverá ser interpretado como um sinal de que estamos a produzir mais. Um excelente apontamento de que sempre há uma luz ao fim do tunel.

Ou muito me engano, ou a Esquerda tudo fará para apagar essa luz. O sucesso - ainda que dubitável - dos seus opositores é alvo a abater. Sempre.

Portugal é isto. A Esquerda atirando a matar sobre a Direita.

Exemplo persuasivos? É só ouvir Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa ou Morais Sarmento versus Sócrates. Nem sequer é meia palavra, mesmo para o mais distraído entendedor...

 

 

Hoje, dia da Padroeira

João-Afonso Machado, 08.12.13

Há dias mais e dias menos e hoje foi um dia todo. Sentados juntos na nossa missa da Casa, querida Avó e querida Mana. sorrindo ambas, a Avó no seu genufletório e tu, Mana, mesmo ali, nos bancos da frente connosco, sempre serena, sempre a nossa querida Mana. Ambas bem envoltas em roupagens, friorentas a vida inteira. O coração encheu-se-nos, mesmo a capela pareceu a de outras eras em que a freguesia em peso lá festejava a Senhora da Conceição em manhãs de bater os pés no chão, porque o tempo não facilita, as temperaturas galopam o termómetro abaixo.

Estranha coisa, o Tempo dos relógios! Imparável no sentido dos seus ponteiros, mas quedando-se por vezes, a recuar em memórias e muitos beijos, esses todos que vos continuamos a dar, querida Avó e querida Mana.

Foi muito bom. Quem vos diria: voltem sempre! - se sempre é a palavra mais presente na constante expressão, tão meiga, do olhar da querida Avó e da querida Mana?

Partidas do Tempo. Minha Avó, minha Mana, é tempo de partir. Andam por aí umas perdizes, essas que tão bem cozinhavam. Um beijo enorme.

 

 

 

Ainda e sempre os incêndios

João-Afonso Machado, 07.12.13

Decretaram os sábios, da morte de tantos bombeiros, no pretérito Verão, a causa foi o «erro humano». E pronto! Assunto arrumado, serenidade nas hostes até à próxima temporada.

Assim, tão à portuguesa, se esquece - ou se passa ao lado! - da razão fundamental desse drama supremo, os incêndios. Com o que se evita questionar o porquê da sua ocorrência.

Encurtando razões, talvez possamos antever o ano que se aproxima: os fogos continuarão, a inevitável necessidade de os combater também. Como decerto se manterá a ausência de meios de formação adequada de bombeiros - fica antecipadamente justificada a possibiliade do sacrifício das vidas.

Resta, pois, aguardar o sequente relatório dos espertos, asseverando que o Portugal dos incêndios e das suas perdas humanas faz irremediavelmente parte do Portugal actual.

 

 

 

Não é messianismo, mas quase

João-Afonso Machado, 05.12.13

Na forma usual, começa agora a falar-se em algo em que sempre acreditei: Rui Rio voltará à política activa. Temos, entretanto, de, pacientemente, deixar a tropa da Imprensa e dos partidos prosseguir as suas habituais encenações. São as conferências, os grupos de reflexão, o diz que sim, mas não, ou talvez. Os desmentidos e as confirmações. O repúdio manifestado por a quem a ideia desagrada, o júbilo dos seus apoiantes. E o silêncio expectante até à explosão da boa nova. É sempre assim.

Certo é, o PSD agita-se já. Nem Passos Coelho ficou calado, reiterando a sua recandidatura.

Ora, Rio (cuja filiação partidária nada me interessa) personifica o político que Portugal necessita. Talvez por não ser, justamente, político. Ou melhor: politicamente correcto.

O seu desempenho à frente da Câmara Municipal do Porto demonstra-o. Nada lhe custa dizer tão-só o que pensa. Nem tomar as medidas que achar as mais indicadas, indiferente à sua impopularidade. Acresce saber fazer contas, e não ser do género de descontar para o seu próprio bolso.

Provavelmente, haverá que aguardar pela inequivoca derrota eleitoral de Passos Coelho em 2015 (se lá chegar). Mas a garantia de uma oposição honesta, que então encabeçará, é já um ótimo augúrio. E com um PS sem saber o que fazer ao País quando chegar ao Governo, mais as suas lutas intestinas, talvez não tenhamos de esperar pelo longínquo 2019 para gozarmos, enfim, um 1º Ministro como deve ser.

 

 

Sentados à mesa

João-Afonso Machado, 03.12.13

Um café sem bagaço. Uma multiplicidade de olhares. Os que relevam são os dirigidos um ao outro. No curto mundo meu, entre ele e ela. Olhares lúbricos, por vezes, olhares curiosos, outras. Estes são os que contam porque falantes. Assim começa a vida nova.

Assim despontam os porquês. Caso não tenham reparado. Caso queiram ir além da superfície. Depois o Destino faz o resto.

 

 

Gente realmente importante

João-Afonso Machado, 02.12.13

Entre os virar à direita e à esquerda, seguindo em frente na freguesia da Vitória, há-de acabar por aparecer a Rua do Ferraz. Estreitinha, sempre a descer, com os torreões da Sé entalados entre os edifícios que a bordejam. Um requintado naco do Porto dos romances de Arnaldo Gama. E onde acaba de nascer o Istaminé.

Um balcão de comes e bebes com muito de caseiro, até a conversa. Por todo o espaço, artesanato diversíssimo e as consignações de quem pretenda. Mais a disponibilidade para workshops, jantares de amigos, exposições fotográficas... Evidentemente, está já na calha uma colossal, com temática bem defenida: perdigueiros portugueses - um regalo para o respeitável público. Com muita e boa música sempre presente, ininterruptamente audivel.

Nunca a Rua do Ferraz conheceu aventura assim. Pelo menos desde o tempo em que, ali perto, as populações se eriçavam em fúria contra o monopólio vinhateiro imposto por Pombal. Vivo fosse, Gama reescreveria Um motim há cem anos...

É a aventura da Li, da Ana e do Nuno. Toda a sorte, todo o sucesso para os três!

 

 

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