Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

No cobrear do Tempo

João-Afonso Machado, 06.11.13

Ei-la, outra vez, rápida e barulhenta, a ribeira a correr entre o parque, as casas, o nosso quotidiano. Com peixes já crescidotes no remanso junto à ponte; mas sem a cobra, as rãs, até que o tempo aqueça e as acorde e traga de volta. Nessa forma manhosa em que o Tempo parece rodopiar apenas no ciclo imparável das estações do ano, ora encamisolado, ora de manga curta, conforme o tempo...

( O Tempo, circulo depois confessadamente semi-recta - segmento, afinal, com início e com termo escondido entre as profundezas do imprevisível...).

Mas certo é a ribeira caminhar para o auge da sua alegria, da sua vitalidade. Ruidosa, até, nas cascatas de toda ela, onde ainda surgirá a truta voadora do conto fabuloso de Jorge Brum do Canto. E vocês, cachopas, porque arrefecendo os dias, instalando-se a chuva por aí, não vos quero entre as frestas do canil. Vêm as duas, sim senhor, vêm com muito juízo. Para muita brincadeira junto à ribeira - mas, em casa, nem cotovelos à mesa nem pés no sofá. 

É uma promessa. E é uma ordem!

 

 

 

Da Capital, hoje

João-Afonso Machado, 05.11.13

 

Lisboa em final de manhã de sol assim-assim. Depois do julgamento, do revisitado e venerável Palácio de Justiça. Lisboa cá em baixo, no Rossio, e um minhoto feito cicerone de ocasião.

E foi a Praça da Figueira, o cantinho africano de S. Domingos, a volta pela Suissa, Rua Augusta fora. Em sentido aquando da esquina da Rua de S. Julião, meu caro Amigo H., excelente Sr. Pereira, desculpem, esta vez não houve tempo..

Por causa do horário do comboio. O Terreiro do Paço abriu-se-lhe perante o olhar como uma exclamação enorme, apontei ainda o Cais das Colunas, onde El-Rei D. Carlos um dia desembarcou para a morte, a vastidão do Tejo, o navio imenso atracado. E até Santa Apolónia foi, sem angustias, uma longa conversa pedonal.

Lisboa, assim, um local de visita que se recomenda aos nortenhos. Descendo o Chiado, durante todas as excentricidades com que deparamos no trajecto.

E Lisboa hoje, dia de semana, estranhamente calma, vagarosa. Despolitizada, até.

 

 

Ainda há patriotas

João-Afonso Machado, 02.11.13

Não me tinha ocorrido, mas parece que as infelizes declarações do Presidente da FIFA, Joseph Blatter, além de atingirem a honorabilidade de Cristiano Ronaldo, ofendem também «os portugueses em geral». Pelo menos é que consta da petição pública de que são signatários já mais de 42.000 patriotas lusos e que aguarda ainda a sua, a nossa, assinatura.

O facto, verdadeiramente extraordinário, - o da preenchidissima petição - faz luz ainda sobre a corrupção que grassa no futebol internacional. E, pelo seu volume - o tal preenchimento - traz também a vantagem adicional de demonstrar como a "bola" é capaz de meter Arménio Carlos num chinelo.

Por isso, talvez se pudesse ir mais longe. Não digo fretar um barco, como há anos, até Timor à vista do potente binóculo. Aliás, a viagem marítima à Suiça  é muito incómoda. Mas que tal uma frota intimidante de autopullmans estrada fora até aos arredores de Zurique? Só para acordar aquela pacatez de gente e a malandragem da FIFA, com o bom vernáculo português, e regressar a casa de alma cheia? 

 

 

"Dia dos Fieis"

João-Afonso Machado, 02.11.13

 

Nessas duas rosas enfim ouvi

horas dolorosas

no derradeiro arrastar

ante mim, ante ti,

o granito tumular.

 

Uma branca de pureza,

a encarnada de ferida e dor

como quis fosse cantada

 

em tuas mãos, tristeza,

a fugaz vida do amor.

 

E talvez esquecida

em tão instante partida

a imortalidade sobrante,

 

a minha sempre saudade.

 

 

Pág. 3/3