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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Agitação de caserna

João-Afonso Machado, 07.11.13

A Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA), na pessoa do seu presidente, o coronel Pereira Cracel, foi recebida pelo Chefe da Casa Militar da Presidência da República, a quem quis alertar sobre a preocupante «evolução da situação em Portugal». Coisa de presidentes, coisa da República, coisa ruim, evidentemente.

E a AOFA logo declarou «como oficiais» não poderem «ignorar os perigos que decorrem da quebra da coesão nacional». O alvo das suas críticas, vai-se percebendo, são os dirigentes políticos, por acaso eleitos pelo povo - por uma maioria de portugueses - o qual povo, salvo erro, os militares juraram defender, sem se imiscuirem no que tange aos poderes instituidos constitucionalmente. As Forças Armadas existem para servir a Nação, informou galhardamente, em posterior entrevista, o aludido Sr. Coronel.

Depois nota-se que não. Mais precisamente, no horizonte da AOFA assustam sobretudo os cortes dos salários e pensões, o congelamento das progressões, a redução de efectivos, os problemas de saúde... dos militares.

Entre o verbalizado e o escrito, tudo se resume, portanto, a um comunicado da AOFA dirigido ao Ministério da Defesa. Inquirindo se a Troika não seria, no fundo, somente um pretexto para alcançar «objectivos previamente defenidos de emagrecer as FA»! Com o que estaria em causa a sacrossanta soberania nacional, vista a subserviência do Governo!

Daí a um ataque cerrado ao «neoliberalismo» foi aquele passinho de menino que todos imaginarão. Restando a ameaça final de novas reuniões a promover pelos militares para congeminarem outras formas de protesto contra a «austeridade»!

Eu não sei se no mais da Europa tal comportamento será admissivel. Aqui na República é. De resto, todos recordarão, foi de reivindicações congéneres que despertou o 25 de Abril.

E se à conta da equiparação entre os oficiais do quadro e os milicianos - então - caiu o fascismo, é de acreditar que a AOFA - agora - por causa dos apertos financeiros afectando também as FA, pretenda, desta feita, derrubar o «neoliberalismo».

Depois do MFA, a AOFA. Tratem Cavaco Silva e Passos Coelho de convocar a "brigada do reumático" e em vão recorrer à sua fé. E mandem também aprovisionar a despensa do quartel do Carmo e comprar bilhetes de avião - com antecedência, que sempre sai mais em conta.

A AOFA insinuou o fim da III República. Pela força das armas, conforme manda a praxe republicana. Venha de lá a IV República, que a nossa curiosidade é muita.