Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

A agricultura, afinal...

João-Afonso Machado, 20.07.13

A leitura dos jornais diários, além de muitos e muitos desastres viários, revela todos os dias - sem exagero - a morte de pessoas em acidentes com tractores. Hão-de reparar... Depois, quem se quiser dar à curiosidade de saber o que aconteceu, passa do título ao texto e descobre sexagenários, septuagenários, octogenários... e capotamentos, manobras mal feitas, dir-se-ia - quase infantilidades.

Numa palavra: estúpidos fins de vida.

De notar, também, as mencionadas infelicidades ocorrem, quase só, a norte e no centro do País. A nossa orografia facilmente ensina porquê, sem necessidade de explicações adicionais.

O porquê: a agricultura nacional foi levada ao abate na década de 80 do século transacto, quando a CEE entrou a mandar no nosso destino. Havia um objectivo estatístico, números de cor descer a população que vivia da lavoura de 18 para os 3%. Se calhar foi cumprido, nesta nossa estranha sina de cumprir o mau e passar ao lado do bom.

Os sobreviventes da referida depuração têm hoje a idade que têm... e continuam vivendo do que sempre viveram. Justamente quando a nova vaga, desesperada de celeiros e preços e ocupações, torna ao discurso da terra.

Mas a realidade é o que é. Destruir custa imensamente menos do que construir. E, no intervalo, acerta em cheio na gente - agora já não subvalorizada - que morre à míngua de continuadores.

A República portuguesa é isto. Sempre, sempre, impunemente.