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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

O diabo as leve, as enguias

João-Afonso Machado, 01.07.13

Os meus anzois trazem sempre um dístico bem visivel - «proibido enguias». Há muitos anos. E só para evitar engarrafamentos, nós cegos e calamidades afins. Mais a mais, as enguias povoam as águas mais porcas, escapulem-se entre os dedos e não se ensaiam para espetar os seus dentes em serrilha na carne dos indefesos pescadores que já só se querem ver desembaraçados delas. Depois, ao contrário do que proclama a ignorância, não prestam para comer, salvo em Ovar, onde chegam à mesa, ainda meninas, fritas tostadinhas e encaracoladas, tragáveis da cabeça ao rabo na enxurrada de um copinho de branco.

Feitas emigrantes, oriundas das profundezas do mar dos Sargaços com trejeitos de cobra, hão de morrer eternas contrariedades. Eternas porque sempre presentes e inconvenientes no melhor da festa. E contrariedades por toda a viscosa realidade já referida.

Ontem saiu-me uma. Eu devia ter desconfiado daquelas águas ferruginosas, pouco honestas, do Ave em Lousado, mesmo no fim do concelho. Mas falam-nos em carpas, em achigãs, o açude chorava em abundância, e a gente, é claro, entusiasma-se. Até já não ser possivel evitar o desastre.

Além de tudo, as enguias afugentam as senhoras. Resquícios ainda do tremendo episódio no Eden. Só pode ser.