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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Santo António

João-Afonso Machado, 13.06.13

Por cá o feriado municipal é hoje, dia de Santo António. E na Capital, como cá, em V. N. de Famalicão. Desconfio, porém, em doses muitissimo inferiores de sossego e quietude.

É que a festa vem durando desde a transacta semana. Com as marchas, os concursos - este ano voltou a columbofilia, como se chegada numa máquina do tempo... - os passeios, a música em sortido, os arraiais e o incontornável fogo-de-vista. A noite passada levou por remate uma sardinhada bem regada e depois foi o descanso, sobretudo diurno. Em casa, procurando na varanda o poiso ideal para este meu recital em penas, presente recente e tão do meu agrado.

Ainda assim com tempo para ler e comentar alguns disparates. E conseguir convencer os vizinhos que, sim senhor!, é garantido!, em 2014 El-Rei estará entre nós no Santo António. Porque os vizinhos, todos minhotos, não anseiam outra coisa.

 

 

 

Costumes cá de cima

João-Afonso Machado, 12.06.13

A toada vai subindo em força e ritmo e som. Em adrenalina, talvez se possa usar o termo. É como um desafio que os homens dos tambores lançam uns aos outros: será até à exaustão.

Caberá aos bombos o momento alto do espectáculo. Verdadeiramente sovados, numa fúria rimbombante a fazer tremer as ruas, as gentes, as vozes. Como se na eminência dos grandes combates de outrora, a galvanizar as tropas, a calar-lhes naturais medos, empurrando-as para a frente de batalha.

Ficou a tradição. Por todo este santo Minho. Com uma particularidade: não é por qualquer um que os bombos saiem à praça. Trata-se de exibições reservadas para quem de muito apreço...

 

 

Ainda Viana (da Foz do Lima)

João-Afonso Machado, 09.06.13

No exagero de um tempo e o espaço imenso onde se perdem a memória e a consciência, e sobreviver é quase tudo, compreende-se a incredulidade. O modo fácil como os factos podem ser reduzidos ao meramente ocasional, quando não a uma engenhosa encenação. É por isso, realmente, que a paisagem portuguesa - como dizem os lisboetas - se torna de tão dificil compreensão na Capital. Vale dizer, Portugal não é, todo ele, sindicatos e bairros problemáticos.

As manhãs nacionais vivem de outro ar. Talvez do que lhes sai da alma e chama gente. Credos políticos à parte, ainda muito com o aroma das tradições pairando. De resto, a inteligência das gentes sabe muito bem separar as águas: os que surgem para pedir e os que comparecem com o pouco que possam ter - para oferecer.

Em Viana, ontem, foi assim, claramente. Sinal inequívoco de que o Futuro faz parte da História.

 

 

A Familia Real em Viana (da Foz do Lima)

João-Afonso Machado, 08.06.13

Manhã de grande animação em Viana do Castelo. Com a marca 100% Alto Minho, as associações empresariais da Região, diversas confrarias, muitos bombos, gaitas-de-foles e o envolvimento da população. Convidados de honra, SS.AA.RR. o Senhor D. Duarte e a Senhora Dona Isabel de Bragança.

Depois houve almoço a reunir umas centenas de pessoas, incluindo o Bispo e o Presidente da Câmara de Viana. Os fundos obtidos reverteram para entidades de apoio social a jovens.

A organização esteve também a cargo das Reais Associações deste distrito e do de Braga. 

 

 

A alma do Interior

João-Afonso Machado, 07.06.13

O descampado não é um drama. Será até uma garantia do amanhã, seguramente uma promessa de retorno. Nunca a terra morreu à mingua dos seus ocupantes e o previlégio estará justamente nos metros quadrados somando áreas apetecíveis e despojadas de multidões.

Dois ciclos se vão continuamente sucedendo um ao outro. Talvez a pobreza - ou, porventura, mais o sonho do eldorado... - a debandada rumo aos grandes aglomerados urbanos, à modernidade urbana, à nossa própria modernidade... Talvez assim se explique o êxodo. A eterna romaria para o litoral, em suma. Mas, por outro lado, sempre advém a miragem, vivida a experiência da cidade, de um mundo de paz e tranquilidade, a consciência do espaço e da aventura, o apelo à aposta. Não apenas porque em terra de cegos quem tem olho é rei. Confirmam-se ideias e projectos claros e pláusiveis, economicamente falando. É indiscutivel. Mas fala também a voz do sangue, decerto a mais assertiva...

Otimismo? Nada subsistirá além do otimismo, para que não se demarquem dois Portugais, o do formigueiro e o do deserto de gentes?

É evidente, é outra a visão correcta. A riqueza dos portugueses, o seu reeencontro consigo mesmo está a nascente. De onde surgem o sol e as oportunidades. Vale dizer, está chegando a vez do segundo ciclo.

 

 

Resquícios do PREC

João-Afonso Machado, 04.06.13

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Em 1975 era assim. Os partidos da Direita (então cautelarmente do Centro) organizavam os seus comícios, as suas sessões de esclarecimento. Por todo o País, à excepção do Alentejo de que os comunistas se tinham apossado. Eis senão quando um ruidoso - que não numeroso - bando de "democratas" da Esquerda revolucionária irrompia sala dentro com impropérios e ameaças, ante umas centenas de assistentes mudos e quedos, paralisados pelo medo. Com a Polícia absolutamente desautorizada, umas Forças Armadas tendenciosas e contemporizadoras, competia às "seguranças" (à juventude dos partidos) livrar os seus líderes de perigos maiores. Assim muitos recolhiam a casa de cabeça rachada ou nariz à banda.

Nada disto impressionou o PS, até que Soares - também ele - se viu apertado e insultado quando pretendia discursar no 1º de Maio desse ano. Os comunistas tinham ido longe demais. Mário, despeitado, curvou à direita, fez por que a Direita acreditasse e confiasse nele, papou as eleições ao PPD. E, em desespero de causa, ao vê-las perdidas para o seu rival em 1978, era o que mais berrava apelidando Sá Carneiro de «caloteiro».

É bem a encarnação da República, o senhor de Nafarros!

Mas já no Verão desse terrivel 1975 o povo português se revoltara contra a tirania comunista, por vezes com excessos - essencialmente destruindo sedes do PC e similares, assim como estes haviam procedido uns meses antes. Para a História ficou, porém, somente a segunda parte do filme. Sinal preocupante de que a Esquerda ainda fala mais alto e não abdica do guião respectivo.

Porquê recordar isto tudo? Unicamente devido às imagens televisivas de ontem em que um membro do Governo saiu sala fora ante o boicote de uma dúzia de sindicalistas e o silêncio amedrontado da esmagadora maioria dos presentes. Teremos nós voltado aos ominosos tempos do caciquismo e caceteirismo m-l?

 

 

 

 

Pantanais...

João-Afonso Machado, 03.06.13

Algumas recentes afirmações dos senhores da "nossa" política, retomando a questão do «pântano» em que nos atolámos, lembraram inevitavelmente António Guterres e a célebre hecatombe autarquica socialista em 2002 (se não estou em erro). E uma velha questão, para a qual jamais obtive resposta satisfatória: Guterres, militante do PS, -  como e porquê? Exactamente como me interrogaria se o visado fosse - por exemplo - Adelino Amaro da Costa, um desapreciador do seu bigode dos idos do PREC.

É bem claro que Guterres gastou mais tempo a tentar segurar as pontas de um partido republicano e maçónico do que a governar. Vai daí... E não serão menos evidentes os efeitos dessa vacina: ou alguém acreditará que ele quer algo mais com essa malta?

Guterres era um homem sério. Padeceu por isso.

Quem diz sério, diz honesto. Por isso padeceu de cabeça para baixo como Pedro, o dos Evangelhos.

Ocorre haver um outro Pedro, o dos passos do nosso Executivo, que anda como coelho sem vislumbrar a lura. Espingardado por todos os lados.

Entendamo-nos. Entre Pedro (o tal "passos perdidos") e o pseudo-refilão Tozé - mil vezes Pedro. Mas o «pântano» (de resto, criado pela Esquerda e alimentado por ela que insiste em nos atrair para ele) é já uma realidade. Sendo certo que todos sabemos quanto vamos "apertar" nos decénios seguintes.

Daí não creio seja de assustar demasiadamente a - dita - tenebrosa «crise politica».

E daí, ainda, a explêndida oportunidade (à falta de outra) de entregar o Poder à Esquerda, senão antes, depois das Autárquicas.

"Eles" exigem eleições já. Por muito escorregadios que sejam, há registos, assegurar-se-á a memória. E depois é deixá-los. Revivalisticamente. A ver se Soares, nessa altura, ainda volta a insurgir-se contra os comunistas...

E, sobretudo, porque os portugueses só aprendem com uma pancada da cabeça na parede - de fresca data.

 

 

Olh'ó Diário de Coimbra!

João-Afonso Machado, 01.06.13

O Diário de Coimbra está há 83 anos a informar e é um jornal republicano. Essa a identificação, em letras gordas, salientes, colhida no seu cabeçalho, a dever trazer-nos natural regozijo. Percebe-se porquê: os jornais, ao contrário dos políticos, tendem a asneirar menos com a idade, exactamente porque acumulam experiência em vez de avolumarem caquexia. Leia-se o Diário de Coimbra e leia-se, ou oiça-se, Mário Soares e compare-se.

Mas não é tudo: exactamente como Mário Soares, o Diário de Coimbra sente necessidade de se afirmar republicano. É certo, neste ponto, não há dados disponiveis para uma equiparação total. Vale dizer: ignora-se naquele periódico a ocorrência dos mesmos motivos pelos quais -  tão aliviadamente! -  o histórico socialista está longe da dignidade monárquica e alinha pela sua catita ética politica e partidaria.

Não, a questão está na perene necessidade da exaltação de fidelidade à República só explicavel pela actualidade (pela perpetuidade...) dos ideais realistas. Não fora assim, o Diário de Coimbra frisar-se-ia outra especialidade qualquer: o regionalismo, por exemplo.

No mais, este simpático jornal vem, encantadoramente, invocar nas suas páginas o 60º aniversário da coroação da Rainha Isabel de Inglaterra, recordando que «no ano passado os britânicos assinalaram o jubileu da rainha com muitos espectáculos musicais»... De isenção assim é que todos precisamos.

 

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