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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Fraude fiscal

João-Afonso Machado, 15.05.13

O dia inteiro em audiência. Vinte testemunhas para a sessão de hoje, uma de muitas, o MP empenhou-se e quer sangue. Da acusação consta que os "maus" defraudaram o Estado numas centenas de milhares de IVA não entregue.

Os arguidos presentes são quatro. Quatro olhares silenciosos já muito acomodados aos dizeres das testemunhas, sem reacção mesmo quando alguém põe o dedo na ferida e aponta um nome, um facto comprometedor.

É isto a Justiça: o Estado põe-nos a pagar os seus devaneios e faz-nos penar - e de que maneira - se de algum modo engendramos como compensar-nos desses abusos. Criminosos? Quem? Para que servem os impostos?

O "colectivo" está dividido. O juiz-presidente empenhado na sua severidade de julgador. Mais até do que o Procurador na sua "averiguação da verdade material". As restantes duas magistradas - as "asas" - não levantam a vista dos seus compotadores portáteis, com espaço apenas para esporádicos sorrisos. Facebook?

Na banca dos advogados tenta-se que as testemunhas (aliás, todas arroladas pelo MP) digam só o que sabem - o bastante para não comprometerem os arguidos. E, a um canto, a bandeira rubro-verde disfarça a sua sofreguidão ao lado do azul da UE. Talvez se mostre mais branda, se esta se lembrar de aparecer por aí com mais uns milhões para lhe matar a fome...

 

  

Enquanto isso...

João-Afonso Machado, 13.05.13

Sem dispêndios absurdos e com muita participação. Não recordo já, mas falam-me de festividades de outrora, cheias de florido e de cores e da alegria das populações. Domingos de pacatez, afinal, como ontem. Coisas simples, requerendo apenas a intervenção das freguesias e dos escuteiros, de outras agremiações que não cobram politicamente. Um intervalo nas preocupações do quotidiano.

A Festa das Flores renasceu em V. N. de Famalicão e as ruas encheram-se de gente. É por isso que a Provincia tanto tem a ensinar ao cosmopolitimo...

 

 

Piscares de olhos

João-Afonso Machado, 11.05.13

Vice-presidente da bancada parlamentar do PSD e uma figura rotunda que - a custo ou não - lá se levanta de cada vez que é preciso cumprir a disciplina de voto no seu partido. Ainda nada se lhe ouvira de crítica ao Governo, em geral, e ao Ministro Gaspar, em particular.

Ontem quebrou o seu ajuizado silêncio. Carlos Abreu Amorim filosofou ter terminado o tempo político de Vítor Gaspar, devendo o  Governo ponderar a sua substituição. Mas onde lhe ocorreu tão ponderada reflexão? Na Assembleia da República? Não, em V. N. de Gaia, a cuja presidência é candidato, durante a apresentação dos elegíveis para as juntas de freguesia.

Percebe-se. Percebe-se muita coisa, sobretudo que Carlos Abreu Amorim já percebeu qe não vai ganhar as eleições. E ainda bem. Depois do estado em que Meneses deixou as finanças da autarquia, vá quem for, a substitui-lo, mas ao menos dotado de agilidade.

 

Os milagres de Jesus

João-Afonso Machado, 09.05.13

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Fala como um homem de Estado e tem mais audiência do que todos eles. Jorge de Jesus há dias que se desdobra em declarações tentando compensar o desaire com o Estoril. Consta sairá directo do futebol para o Governo.

Hoje mesmo, ainda manhãzinha, explicou-se já. Sempre com aquele ar de quem está numa churrascaria na Amadora (de capitais goeses) às voltas com umas perninhas de codorniz e umas survias. A discutir coisas da bola e de mulheres, naquela sua espantosa forma de driblar os tempos dos verbos.

Ouvi-lo-emos durante todo o dia e, com destaque, no especial Anti-Crise de logo mais. Enquanto a sua cabeleira não se agita, qual General Custer (versão Errol Flyn), sob as narinas do Dragão já no fim-de-semana em que todos morrerão calçados.

De resto um jogo excelente para acompanhar televisivamente. Irra! Ir a gente agora voluntariamente para o inferno!

 

A Queima das Fitas

João-Afonso Machado, 07.05.13

Em tempos que já lá vão, a Queima das Fitas era obra dos estudantes para os estudantes. E não será o facto de os cursos e as universidades terem quadruplicado, entretanto, que desculpará o condenável estado de coisas em que se estacionou.

A simples existência de um «Queimódromo» explica integralmente a ambiente "sambista" que veio substituir o velho espírito académico de outras saudosas eras. Onde sobrará um lugar para os - de outrora - saraus culturais, bailes de gala, garraiadas, para toda a poesia dessa semana, a qual, aliás, começando com algum lirismo, rapidamente se enchia das mais épicas façanhas?...

Sobrou o «cortejo». Um outro lampejo do alegorismo carnavalesco, afinal. E foi-se toda a irreverência; em sua substituição, selvajaria apenas.

É o que se lê nos cartazes da parede. A Queima acorda para ouvir os grupos musicais da actualidade no «Queimódromo» enquanto consome uns tantos milhares de barris de Super Bock. Depois, já sem cheta no bolso, completamente borracha, regressa à cama. Pelo caminho, não raro esbarra o carro e morre ou mata alguém.

Os da minha geração sabem bem o que é (e já não é) a Queima das Fitas. Outros a estudam com outros propósitos. Assim assassinaram um infeliz, baleado pelas costas. Estava no local certo, à hora certa, para um assalto - muito mais rentável do que esses corriqueiros às bombas de gasolina. Porque a Queima transformou-se nisso: numa obesa bilheteira a rebentar de notas prontinhas para serem roubadas.

 

 

A minha galinha é melhor do que a da vizinha

João-Afonso Machado, 05.05.13

Árdua tarde de trabalho sob a inclemência do sol, aproveitando a Feira das Trocas em V. N. de Famalicão. Um pavilhão que era uma barraca dos saudosos tempos da praia com banheiro, rede de volei, corridas de caricas...E as mais apuradas raças de galinhas minhotas para trocar por dinheiro: pedrezes, castanhas e pretas.

Uma azáfama, como se imaginará. Uma fila imensa formando-se defronte, quase um sururu quando o Grupo Folclórico de Santa Leocádia de Fradelos quis espaço para dançar e não conseguiu, tal o vaivém dos apreciadores da boa pita (então freguesa, o que vai ser? - quanto custa a pita? - vale dizer, a franga, preta, castanha ou pedrês, coitadíssima, já com uma comprometida expressão de churrasco).

Como também marcharam os ovos às dúzias, ou os galinácios adultos, eles e elas, a crista tombada, adivinhando nos propósitos dos adquirentes a sanguinolência de uma cabidela.

O stock esgotou várias vezes. Foi necessário mandar vir da quinta sucessivos contingentes de penosas, o reforço capaz de satisfazer o entusiasmo dos meus conterrâneos.

Quando, enfim, o meu irmão que superintende ao negócio chegou a substituir-me, de pitos e pitas - nada. Sobrara um galo preto, com todos os sintomas de um viúvo inconsolável.

Do apuro... não me compete decidir. Certamente reforçar-se-à o efectivo dos pica-no-chão, fomentar-se-à uma inaudita taxa de natalidade e planear-se-à o sequente holocausto

Para mim o prémio foi um excelente petisco e um copito e verde, ali na banquinha ao lado, com a minha companhia de  eleição.

 

 

Desilusões

João-Afonso Machado, 02.05.13

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A notícia de que, ontem, muita, muita gente se plantou à porta dos Pingo Doce que pululam por esse País acaba por não ser espantosa. Corria um ano sobre a inesquecivel promoção dos "50%". Ninguém a esqueceu, assim como ninguém liga já as promessas, venham elas do Governo ou da Oposição ou de quaisquer grupos de pressão.

No fundo, os portugueses assim manifestaram o seu absoluto desprezo pelo Estado e pela classe política. São muitos anos de mentira, tantos quantos os de alguma credibilidade do Poder Local.

Daí a sucessão de curiosíssimos fenómenos, indo da reeleição de Isaltino Morais até à (intencional ou não) benemerência de Alexandre Soares ds Santos.

Daí o generalizado papel salvífico desempenhado pelas autarquias.

Daí tenhamos percebido que urge sobreviver. Desenrascarmo-nos. E daí, também, a folclórica militância dos sindicalistas Avenidas da Liberdade fora... 

 

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