Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Crescei e multiplicai-vos

João-Afonso Machado, 16.01.13

E vamos então ao que interessa: estás casadoira, chegou a altura. Bom partido que és, não faltarão candidatos. Depois... já imaginaste a longa e medieva prole, os narizes que darás ao mundo? Força, Tareja! Descobre-me quinze dias de inspiração amorosa que eu trato do resto... Sozinha não ficarás mais.

 

 

Parece que os cubanos vão poder conhecer mundo...

João-Afonso Machado, 16.01.13

De forma magistral, Jean-François Revel (A Tentação Totalitária) explicou tudo: a estratégia do socialismo ciêntifico (à época, a linguagem de Karl Marx impunha-se aos homens, à realidade e ao bom-senso) assentava basicamente no extermínio das perspectivas histórica e utópica. Abreviando, a Esquerda imperava, onde alcançasse o Poder, de uma forma simples e eficaz: recontava o Passado, aldrabando-o; e bloqueava o acesso ao Presente no exterior dos seus domínios, impedindo as comparações, logo os sonhos para o Futuro. E, desfuturado, o homem socialista desconhecia a Vida para além do seu quotidiano posto ao serviço da batalha da produção. Em suma, não chateava.

A queda do Muro de Berlim só é a cabal demonstração de que a Humanidade não é transformável em irracionalidade.

Depois foi o corre-corre, a hercúlea tentativa de adaptar o discurso a tempo de evitar a derrocada absoluta. Ceausescu foi executado porque se atrasou ligeiramente.

Restou o exotismo asiático e caraibenho. Este último, resistente como o corso da Tortuga, só agora parece dar sinais de abertura: quando, dizem eles, os cubanos maiores de 18 anos podem, enfim, deslocar-se ao estrangeiro, se devidamente portadores de passaporte válido.

(A ver vamos o que a burocracia socialista inventará para validar os passaportes...).

A medida não é importante - é importantíssima. Cerca de 2 milhões de cubanos no estrangeiro, talvez assim consigam regularizar a sua vida. E, porventura, será o fim das deserções de tantos cubanos incluidos em missões profissionais ou desportivas. Por arrasto, dos seus guardiões também (dogues... cubanos?).

Tudo materializando um passo em frente nos dificeis caminhos do mundo que se quer livre. E o silêncio prudente da Esquerda lusa - definitivamente arruaceira, contra tudo, pró nada.

Por isso, o desabafo final, propositadamente da maior incorreção política: comparada com a nossa marcelista, a primavera castrista é o mais agreste inverno nevando sobre tão infelizes fazedores de charutos para os ricos.

 

 

 

 

Ditos socialistas

João-Afonso Machado, 14.01.13

São aquelas frases que ficam. Esta, saída do saber de Álvaro Beleza, que provavelmente até é imenso. Mas mal explicado.

A questão tem a ver com a ADSE, um «subsistema» que os socialistas descobriram agora dever ser extinto. Porque injusto - e injusto porque «beneficia um milhão e trezentas mil portugueses e faz com que o acesso à saúde não seja igual para todos».

Assim mesmo.

A ADSE é que «faz com que o acesso à saúde não seja igual para todos»?

Ou não será o SNS que não tem pernas para a todos acorrer?

Em minha humilde opinião, aí temos a Esquerda de sempre: igualando por baixo. E a Maçonaria-madrinha (e "tocando nas vestes" Arnaut, o sempiterno) - morram todos mas sobreviva o SNS, a encarnação do «Estado Social»...

Amén.

 

 

Lentamente, atrás da cortina...

João-Afonso Machado, 13.01.13

Sábios dias de poucas palavras em que o silêncio denuncia, destapa, aponta o dedo. Afinal, posto na varanda da vida, um pouco mais de atenção e a realidade transformada em resultado, na constante escuridão em que os objectos era suposto brilharem sob os raios solares. 

Nada de muito importante. Apenas o desmascarar dos procedimentos. E a surpresa, tão-só, a ingenuidade das crianças.

 

 

 

A propósito do Sr. "Deficit"

João-Afonso Machado, 10.01.13

O episódio começa com a ceia em Dia de Reis, uma tradição que há anos reune todos os autarcas do município, desde o Presidente da edilidade aos das Juntas das suas 49 freguesias.

Há, de início, um apontamento simpático - em final de mandato, já não renovável, nos termos legais, o responsável-mor concelhio congratula-se e destaca as boas memórias que leva desta sua passagem pela vida política. Designadamente pelas excelentes relações mantidas com todas as Juntas e os seus presidentes, posto, uma vez decorridas as eleições, logo se sanarem as divergências partidárias em benefício do desenvolvimento das freguesias. E salienta a forma pacífica como sempre decorreu a apreciação e discussão do Plano e do Orçamento camarário, motivo porque nunca «se votou de maneira cega e obediente». A bem do Concelho...

Conhecia-se já a informação agradabilíssima referente a um reforço no Orçamento de cada Junta, em consequência de uma verba disponibilizada pela Câmara: oito milhões de euros a repartir por todas elas.

É quando sobrevém a surpresa final - diz-se aqui para estes lados: «a prenda no sapatinho»... - resultado de um saldo extra, o produto da boa gestão dos dinheiros públicos e de um acréscimo da receita prevista. Nada mais de que 1 milhão e 250 mil euros a dividir por aquelas 49 freguesias, sob condição de as mesmas aplicarem essas verbas em obras merecedoras da aprovação da edilidade.

A comunicação é recebida sob os aplausos de todos os presentes, sem excepção.

Não vale a pena, se calhar, identificar o concelho. Pertence ao Minho...

Vale é tentar perceber porque, em terras económicamente dilaceradas, o Poder Local consegue o que não conseguem os grandes "crâneos" - os macrocéfalos - deste país. Ou a lição que os pequenos sabem dar aos "grandes".

Já o disse e repito - 2013 será o ano das autarquias.

 

 

 

 

F-16

João-Afonso Machado, 08.01.13

J:\FOTOS\PORTUGAL - PROVINCIA\LEIRIA\ALCOBAÇA\S.

Só haverá possivelmente uma explicação plausivel para a compra, nos idos de 1998, de 41 caça-bombardeiros F-16 - o entranhado, irresistivel, gosto dos nossos pilotos em pilotar. Aliás, por isso mesmo, é sobremaneira injusto os nossos governantes não comprem às duzias Ferraris, Maseratis e McLarens, assinalavelmente mais baratos do que os F-16, e na mesma capazes de satisfazer o mais exigente apetite dos nossos também muitos ases do volante.

O  mal está na tremenda lotação das estradas e dos ares nacionais. Na ameaça permanente de hecatombe. Daquele lote supersónico que tanto alegrou e encheu de orgulho a nossa FA, dois exemplares perderam-se já, destroçados em acidente. E uma vida humana também.

Enfim, a "crise" - há sempre males que vêm por bem... -  se encarregará de corrigir esses excessos. Na altura, o negócio custou uma bagatela de cerca de 400 milhões de euros. Agora, com o combustivel a encarecer todos os dias, pensa-se já em vender a frota, ou parte dela. Os romenos e os búlgaros terão até manifestado interesse na sua aquisição. Mas estes últimos, maçadoramente, regateiam o preço: afinal, dizem, não são mais do que aviões em terceira mão!...

Unhas de fome! É preciso descaramento! Ainda se fossem máquinas desgastadas pela guerra... Se não tivessem sido sempre primorosamente tratadas, com as revisões todas em dia, uma quilometragem baixissima!

 

 

Correio do Minho

João-Afonso Machado, 07.01.13

IMAGENS 079.jpg

Ex.mo Senhor:

Dr. Francisco Balsemão

Carnaxide - Lisboa

 

Ex.mo Senhor:

Dou por recepcionado no ecrã, onde quis o Diabo me aparecesse à frente, o seu programa mais recente, Sábado em Luta. Nesse mesmo dia e serão de descanso, e com ampla intervenção dos metroartistas, Ex.mos Senhores Gel e Falâncio. 

Eu não posso falar, é claro, em nome da provincia do Minho. Falo somente como minhoto. Desses que gostam de tudo o que os demais portugueses gostam geramente - bolo-rei, uma pinguita, o bom assado, a concertina a tocar e a saia a rodar aberta em páraquedas. E tudo o mais que V. Ex.cia calculará.

Falta de higiene capilar e olhares de coruja em roupetas de gosto duvidoso é que não. Falares de rufia lisboeta, também não. V. Ex.cia não ignorará, saimos ainda há pouco do tempo da "casinha" e do jarro de água fria; da ausência dos pronto-a-vestir; e ainda nem deixámos de trocar os vês pelos bês. A pagar a conta de electricidade derivado da televisão, seja ao menos para ver coisas bonitas.

Coisas originais, já agora. Nada de arrumadores de carros ou revolucionários Knorr. Muito menos o jargão costumeiro, Passos Coelho para aqui, Vitor Gaspar para ali, já nos bastam os noticiários com que V. Ex.cia e os seus concorrentes nos bombardeiam diariamente. Se não há imaginação para mais, saia ao menos uma Gabriela de cravo e canela em - digamos assim - carne e osso, a carne, se quiser, completamente visivel, o osso fique V. Ex.cia com ele e lhe faça bom proveito.

O produto não tinha a qualidade prometida, em suma. Assim declaramos unilateralmente resolvido o contrato celebrado com a SIC de V. Ex.cia, em face da dita deficiência. E tomamos a iniciativa de devolver as ditas imagens, todas elas, por impróprias e fora do prazo. Antigo por antigo - demodé pour demodé, diria V. Ex.cia - deixe lá o entretenimento nas mãos do António Silva ou do Vasco Santana, senão mesmo no Otelo a preto-e-branco, a gaguejar "pás". Sempre é história, sempre tem humor.

Ou então - insistindo V. Ex.cia no mau gosto - segredam-me agora alguns senhores minhotos, digne-se V. Ex.cia trazer a público imagens de V. Ex.cia, do tempo em que se saracoteava em boites algarvias com o seu blaser encarnado... Isso sim, isso tinha must!

Na expectativa de um próximo sábado devidamente remodelado, com a salutar presença de V. Ex.cia remoçado e dançador do twist, subscrevo-me com os melhores cumprimentos,

De V. Ex.cia

atenciosamente

 

JAM

 

 

 

 

Cruzeiro Seixas

João-Afonso Machado, 06.01.13

O Museu e Centro de Estudos do Surrealismo é um projecto a concretizar brevemente pela Fundação Cupertino de Miranda, em V. N. de Famalicão. Tudo devido à (estranha?, simpática?) atracção que a cidade exerce sobre pessoas como Mário Cesariny (cujo espólio pertence hoje àquela Fundação) ou o pintor, escultor, ilustrador e poeta Artur Cruzeiro Seixas.

Outro nome consagrado do surrealismo. Parte substancial da sua obra está já depositada em Famalicão -  onde, de resto, Cruzeiro Seixas fixou residência desde o passado Outono, abandonando o Estoril, e onde se diz sentir muito bem.

A militância no movimento surrealista, a ideia geral que tendencialmente faremos das suas traves mestras, mesmo o curriculo dos seus autores, ecos do cosmopolitismo parisiense soando em mil expressões de arte urbana, nunca lembrariam uma pacata cidade minhota.

Mas talvez o surrealismo seja isso mesmo... Para já, a nós provincianos, é sobejamente agradável a vizinhança e o convivio com um artista da dimensão de Cruzeiro Seixas.

 

 

 

 

 

 

Dia de anos

João-Afonso Machado, 04.01.13

«Dá-me a liberdade de ser quem sou,

vadio, fraco,

mesmo irreverente.

Não me digas para onde vou.

Estarei no mundo

entre a gente

e os meus.

 

Somente...

reza a Deus.

 

Dá-lhe recados

talvez dum crente

 

(in Margarida, DG Edições, 2010)

 

Parabéns, querida Mana. Nesta dimensão de quem não conhece ainda a outra, são 50 anos, o teu "cinquentenário". Um festejo com aqueles milhões de beijinhos de que foste sempre a única a receber, vindos de todas as bandas, era a Avó, a Tia, os Pais, nós todos.

Outros falarão de saudades, mas aqui o teu irmão só sabe do mimo que continua a dar e a levar. Sinto a tua paz. É isso! É por isso... - sempre a decuplicar a meiguice com que sempre permanecerás tão viva como sempre.

Mais outros muitos beijinhos, Mana! Parabéns!

 

 

 

Patrioticamente

João-Afonso Machado, 03.01.13

Foi ontem. Chegámos para almoçar já a desoras e o restaurante perdido entre a várzea e umas matas, alumiado somente por uma Nossa Senhora e três pastorinhos em volta dela, mais os seus anhos, no pátio da entrada. Um pormenor de mau gosto, achei inicialmente, um afloramento de almas bondosas, conclui no fim. À porta, um letreiro: «O Multibanco não funciona».

Não sobrava tempo para procurar outro poiso. E o contado na carteira era escasso. De modo que a cada garfada, a cada gole, lá iamos perguntando preços, a saber até onde poderíamos chegar.

O patrão, simpaticamente, percebeu eramos da terra. Que ficássemos à vontade... E desculpássemos, a máquina registadora ainda não estava adaptada ao novo programa informático, isto agora das facturas...

A 2 de Janeiro de 2013. No primeiro dia útil do novo ano de vida nova. Com o Fisco mais amatilhado do que nunca.

Perseguidos. Mas sempre portugueses. Havemos de dar a volta ao Estado-papão. Digo: ao Estado Social. E continuaremos patrioticamente a contribuir com o menos possivel para quem nada nos oferece senão obras públicas... para benefício de alguns privados -  e encargo de todos os demais.

Viva Portugal!!!