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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

A propósito do despudor soarista

João-Afonso Machado, 09.10.12

Do obrigatório «O Poder e o Povo» (pág. 59) de Vasco Pulido Valente:

«A cada instante o Partido Republicano Português forçava a legalidade estabelecida: ou seja, não se limitava a usar os seus direitos, mas sistemática e deliberadamente os transgredia. De 1903 a 1908, a imprensa republicana constantemente cresceu em brutalidade e intolerância. Em 1907, por exemplo, O Mundo fez vários apelos explícitos à revolução, lançou uma campanha contra o pagamento de impostos e chegou mesmo a incitar ao assassinio político. Depois da morte de D. Carlos, tratou os regicídas como mártires e abriu - com propositado aparato - uma subscrição a favor dos filhos de Buiça. Também no Parlamento os deputados não perdiam uma oportunidade de provocação: Afonso Costa não hesitou em ameaçar D. Carlos com o patíbulo; João de Meneses e Alexandre Braga foram suspensos por insultos ao rei; e António José d'Almeida só não os seguiu porque a Câmara não lhe quis dar esse prazer».

O sempre buliçoso Mário Soares é hoje - ele e alguns outros, mais recatados - o Partido Republicano. Sempre presente na politica portuguesa, onde tem voz cativa, vêmo-lo do alto da sua condição de conselheiro de Estado apostado essencialmente na desestabilização. Com afirmações tão desilegantes quanto as que proferiu agora sobre a saúde do Governo e as ambições do ministro Portas. Esquecendo toda a sua vida - a sua voracidade pelos cargos de chefia - e os anos afortunados de passeio nos boulevardes parisienses entre ses amis, forró a que insiste em chamar exílio (subvencionado pelo Colégio Moderno, claro), forró esse em terras lusas depois prolongado na "onomatopeia" de Nafarros.

Aparentemente sem, ao menos, disfarçar uma jovialidade ignorante de uma Nação posta no prego, a calcorrear as ruas na procura de quem lhe compre o relógio ou a derradeira peça de ouro herdada dos avós. Algo de que o dito exílio soarista jamais careceu.