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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Assim não!

João-Afonso Machado, 02.09.12

De repente, vê-se um minhoto a intervir em negócios de tourada como se um ribatejano. E antecipando a faena jornalistica de amanhã, tão certa como um ferro bem cravado. Passo a explicar:

Foi na Torreira (Aveiro), em praça amovível. Creio que esta tarde. Lá estava a moda, quero dizer o costumeiro mini-grupo oposicionista, com os seus cartazes e com os seus slogans e com o seu direito à (acham eles) modernice. Manda o mais elementar bom senso os deixassem no seu canto, cantarolando os seus protestos, a festa far-se-ia entre barreiras.

Eis, porém, que o cavaleiro (julgo, com alternativa) Marcelo Mendes irrompe com a sua montada pelo meio dos ditos manifestantes. Há - ou finge-se haver - pânico, fugas, sapatos deixados para trás, gritaria, enfim, o almejado escândalo. Mais as utilissimas filmagens que já circulam nas redes sociais.

Nem mesmo o depoimento de alguém contratado pela Organização, referindo os escritos a tinta na sua viatura e eventuais pedradas atiradas pelos «pacifistas», justifica a atitude do cavaleiro. A Polícia estava lá para resolver vandalismos dessa natureza.

Sobre gostar não apaixonadamente de touradas, tenho por certo que estas se resolvem entre toureiros e touros. Defendo-as principalmente quando as vejo atacadas, na exacta medida em que me irritam os "iluminados" que descobriram nos animais as vítimas que durante décadas ignoraram nos seres humanos sucumbidos a despotimos diversos. E reconhecendo a todos o direito de as quererem ou não quererem, contando prevaleça a vontade maioritária - hoje ainda a seu favor.

Atitudes como a do cavaleiro Marcelo Mendes é que não. Em nome do civismo e até em nome da "Festa Brava", que por acaso não me passou procuração alguma.

 

 

 

 

Inalteravelmente

João-Afonso Machado, 02.09.12

O que tenha mudado, não sei. Está lá aquela faixa vermelha, um corredor imenso onde os ciclistas pedalam de norte a sul as nossas praias. Mais umas esplanadas, uns pontões... Vendo melhor, há mais movimento de gentes, também... Mas nada de mudanças, insisto. Uma peça, sequer, da minha memória subindo o monte de S. Lourenço foi deslocada.

E toda a força se manteve: a dos sentimentos, a da crença, o vigor da vontade... O assobiar do vento e o desespero de uma prece - confia, acredita, dá-te. Sê.

Aquele mundo parecendo as correrias da juventude em sonhos, caminhando os vagares do fim-de-semana, ao longo do cais em que nunca morreu a persistência dos pescadores. Esposende, silêncio encantado enevoando o palrar das gentes.

Ser é sentir. Muito além das colorações no céu, guiadas cá de baixo, o branco esvoaçante (levado na aragem?, reconduzido por ela?), divagando suavemente, pairantemente. Sempre como as gaivotas de sempre.