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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Entulho mortal

João-Afonso Machado, 14.06.12

A reportagem televisiva continha imagens que muitissimo explicavam. O homem, já sexagenário, saíra da viatura policial algemado mas de cara bem levantada. Nas mãos uma garrafa de água, das maiores. Cheia. Ia ser presente ao juiz e não desconhecia a sua sorte - o interrogatório e, fatalmente, a prisão preventiva. Porque há três dias  matou a tiro a autarca-mor de uma terreóla na Idanha e o marido desta, já agora, de uma assentada só.

O homem, assassino confesso, não aparentava outra preocupação além da de não querer passar sede. Qualquer tipo de arrependimento ou remorso não se lhe lia nos olhos.

E o duplo homicídio resultou de uma querela antiga com a desditosa vítima por causa de entulhos. Nada mais do que isso: entulhos.

Depois, lendo os jornais, lá se destacava a cronologia dos crimes semelhantes. Uma listagem ampla, variada, sempre carregada de sangue e cada vez mais violência. Estendendo-se Portugal fora.

Não eramos assim, como somos obrigados a viver hoje. Os nossos "brandos costumes" resumem-se a um chavão longínquo, obsoleto, até compreensivelmente saudosista. Mas a realidade actual é outra, merecedora de análise, diagnóstico e terapia urgentíssimas. A República está a levar a Nação à loucura.

Tragam depressa um divã e um psiquiatra capaz, sentado ao lado. Há três dias foi na Idanha, amanhã pode ser à porta de qualquer um de nós.