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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Perenemente - o sável

João-Afonso Machado, 26.04.12

Este rio que eu queria fosse outro o meu vizinho, limite sul da minha terra, a única que concebo ser minha, tem as suas delícias. Tem as memórias do que teve - e tem o sável. E os saveiros e a festa dos ribeirinhos e dos minhotos de gema, mais os amigos de sempre. Este ano foi em Arnelas, V. N. de Gaia, estranho buraco junto ao Douro, um misto de prédios em escadinha, vindos do lado de Avintes, e de água vasta, cá em baixo, a calar o bulício no topo. Pelo meio, a ciência culinária do Sr. Rodrigues.

O sável foi trazido do fumeiro. Esgaçado como um porco, a gente a ver tirarem-lhe a casca, as espinhas fugindo, levadas pelo fumo, a secura a pedir molho e o inevitável refresco. Numa mesa grande, enorme, organizada pelo Hernâni, e sem pressas, demorada. Não há igual no País inteiro, diga-se em abono desta margem não nossa, isso é garantido.

Como não tem par estes momentos em que, parentes e amigos, todos se revêem amigos e parentes.

 

 

Eanes ontem - no Passado e no Presente

João-Afonso Machado, 26.04.12

Nessa altura Sá Carneiro era a uníca hipótese credivel de um estadista à altura, face ao Portugal sobrante do PREC. E Sá Carneiro, tolhido por uma Constituição espelho das imposições ideológicas do MFA, por um Conselho de Revolução igualmente castrense, Sá Carneiro sempre de olhos postos na Europa livre, não podia contemporizar com o Presidente Ramalho Eanes. Um homem sisudo, um espaventoso par de patilhas, acima do mais um não-político profundamente influenciável. E cujo principal conselheiro e mentor era - azar dos azares - Ernesto Melo Antunes. Por tudo, Sá Carneiro "declarou-lhe guerra", no decurso da qual, aliás, morreu.

Assim aprendemos a não gostar de Eanes. O bizarro Presidente da República que recomendou aos portugueses Salgado Zenha como seu sucessor, num inesquecivel assomo de eleitoralismo. O ingénuo dirigente do PRD a cuja iniciativa de apresentar uma moção de censura ao Governo deve Cavaco Silva a sua primeira maioria absoluta. Enfim, o palavroso de então, o alvo dilecto das caricaturas - livros inteiros delas... -  de Augusto Cid.

Mas os anos foram passando, as patilhas de Eanes tornaram-se menos ostensivas, o seu discurso menos rebuscado, a sua discrição impossivel de não ser enaltecida. E, já à luz da História, o personagem tornou-se simpático e honorável. Sobretudo honorável, sem dúvida uma boa escolha de Fátima Campos Ferreira, ontem, para a sua entrevista televisiva.

Recordaram-se esses conturbadíssimos tempos. O 25 de Novembro, os seus antecedentes e o que se lhe seguiu. Sem papas na língua.

E com um breve momento que é outro ponto de ordem no Portugal pós 25 de Abril. Quando, justamente, perguntado sobre Mário Soares, Ramalho Eanes declarou ter perdido a estima pelo soba socialista depois da leitura do «livro de Rui Mateus».

Chama-se esse livro "CONTOS PROIBIDOS - MEMÓRIAS DE UM PS DESCONHECIDO". Que é como quem diz, a denúncia do verdadeiro Mário Soares e da sua rede de influências e clientelismos. O único livro em Portugal cuja edição se esgotou num dia só - aquele em que surgiu nas bancas...

Agora disponível na Net, porém.