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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

No dia do Senhor

João-Afonso Machado, 22.04.12

Não gosto de abismos sem profundidade nem de cordilheiras de betão. Ou de cardumes de gente. Enfim, não engraço mesmo com tudo o que nos separa do mar e lhe roubou os seus azuis pergaminhos de imensidão.

Como agora. As águas perderam-se para lá da pista em duas faixas para os ciclistas, do amadeirado percurso pedonal e de todo um bairro de restaurantes já devorando as entranhas do areal.

O Céu ficou mais longe. Fora do nosso alcance, tal qual o Senhor da Pedra, em Miramar (onde uma pausa, o vagar para a confraria, a romaria?), último aceno das almas à grandeza divina. Depois de todos os anos que demorou a invasão do litoral.

Assim... Só talvez se o conseguisemos encravar - o mar - entre o Lindoso e a Caniçada, entre Salamonde e os Pizões. Com os seus acessórios todos: as marés, o sal, as rochas, a rebentação das ondas, os mexilhões. E a sardinha e o carapau, o robalo e o sargo, claro.

Por muito menos do que isso flutuou a jangada de pedra de Saramago. E algures, decerto na raia, ficaria o Brasil.