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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Minhotos e transmontanos

João-Afonso Machado, 12.04.12

Fátima Campos Ferreira e aquilo que será uma nova série de programas televisivos, ontem iniciada em redor do distrito de Bragança: Portugal Hoje. Onde não vi nem ouvi muito indo além das banalidades do costume. Ou seja, o já gasto choradinho da "desertificação" e dos "custos de interioridade".

Um mundo inteiro distingue os minhotos dos transmontanos. Enquanto aqueles tocavam os sinos a rebate, chamando o povo à Restauração monárquica, estes repeliam-na, quantas vezes, com direito a carbonários zelando pela Provincia e nome epopeico em avenida lisboeta.

Mas, Politica à parte, Trás-os-Montes é ainda um mundo rural ou mesmo por explorar; o "verde" Minho, sucessivos bocados de terra que o Porto tem roubado à nossa identidade de sempre: a Maia, Gondomar, Valongo, Vila do Conde, Santo Tirso, V. N. de Famalicão... O que, de algum modo, Braga começa também a intentar. E uma morte produzida de década em década de tresloucadas aventuras na construção civil, senão mesmo de absoluta anarquia urbanistica.

Ainda há muito Trás-os-Montes; pouco resta já de Minho. Nem a Peneda-Gerês permanece imune à destruição.

Esta a razão porque hoje se há-de falar sobretudo nos "custos de litoralidade". Sejam eles o excesso populacional, o fracasso dos sectores produtivos, o desemprego consequente, o descalabro paisagistico. A situação inverteu-se: a região transmontana está apta a receber de braços abertos quem apostar nela (os transmontanos primam, ainda por cima, pela sua hospitalidade); a minhota não tem como mandar embora metade de quem lá vive (e onde se vive mal, o crime, por exemplo, tende a proliferar...).

O programa de Fátima Campos Ferreira havia, pois, de dar o seu tiro de partida no Entre-Douro-e-Minho. Logo na VCI, à saída do Porto.