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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Esta minha arma

João-Afonso Machado, 04.04.12

Lembro-me dela confiada ao feitor. Circunstância que hoje não entendo bem. Que deixei de entender quando me disseram que era a arma do Bisavô. De fabrico belga, lindissima, idosa, quase primitiva no seu funcionamento. Eu era muito miúdo e conheci-a no canto bolorento de um quarto húmido, com meia-dúzia de cartuchos ao lado, se calhar apenas para afugentar cães vadios ou falar mais alto em noites alvoroçadas sabia-se lá porquê.

Depois o feitor morreu. Veio um sujeito substitui-lo, mas a verdade é que o lugar nunca seria dele. Em pouco tempo se determinou superiormente a sua saída. Foi quando a espingarda, peça magnífica, reingressou no armário bélico do Pai.

E, completamente à margem da lei - desta lei que nunca foi nossa - nos meus 15 anos passou a ser do meu uso. Com ela cacei o primeiro coelho, os primeiros tordos.

Os anos correram, a arma levou pancada - não minha, que a limpava sempre, escrupulosamente - deixou de funcionar e quedou-se, tão triste, num canto esquecida. Até o Pai me a oferecer. A arma do Bisavô. Oriunda de Liège, canos longos de arma pombeira, hoje peça de colecção. 

Que eu miro e remiro todos os dias, aqui no meu exílio.

 

Mais uma da "ética republicana"

João-Afonso Machado, 04.04.12

Terá sido no dia em que informou os portugueses de que os portugueses estavam cada vez mais afastados do Governo? Partindo depois, à desfilada, o grande Nafarros, na ânsia de catequisar outro canto do nosso mundo?

O facto é que a Brigada de Trânsito detectou o infindável messias nas proximidades de Leiria, em plena A8, circulando a 199 km/h. Num Mercedes Benz S350 4Matic, propriedade da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, uma dispicienda cedência cá da gente ao invencivel paladino da democracia.

O qual, segundo consta, não simpatizou com a intervenção dos agentes da autoridade, esses audaciosos. Declarando que «o Estado é que vai pagar a multa» (um peculio de €300,00), deixou o seu motorista sem carta de condução, apreendida. O denodado defensor da causa do povo ter-se-à esquecido que existem folgas e familias e passeios e domingos e pic-nics, assim colocando o condutor apeado, quer em funções, quer nos seus momentos de lazer.

Comentaram os militares que intervieram na operação "intercepção do susceptivel paxá", este foi «bastante malcriado». Sim, sim, Mário Soares.

Não deve ter sido. Nós é que estamos mal habituados. Atavicamente mal habituados, incapazes de compreender a "ética republicana".