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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

1 de Abril - o Dia da Verdade

João-Afonso Machado, 01.04.12

Não é pela quantidade de verdades, pela pluralidade de sujeitos, que a mentira vai regendo a orquestra da vida. Seria demasiado simples, todos morreriamos laureados de mentirosos... Porque subsistirá sempre um abismo entre a crença e a realidade.

A mentira é enganosa. Dirigida aos outros. Palavrosa na ânsia de se auto-justificar. E, por isso, a querer estupidificar os destinatários, mistificando o real.

O primeiro dia de Abril será, assim, o mais verdadeiro dia do ano. A ninguém apanhando desprevenido. Honestamente. São 24 horas de predisposição para a brincadeira. Com direito, até, a posterior esclarecimento, não vá os distraídos se esquecerem da data.

Tudo para dizer que convivemos, inevitavelmente, com a mentira resultante, em regra, do medo de encarar a realidade. Aquilo que é, cruamente é, sem margens para nela se leia que poderá ser.

E na desconfiança em que a mentira nos arregimenta, lancemos mãos às pedras. Como se de bóias de salvação se tratassem, apedrejemos a falsidade com a sua ausência de intenções maléficas, porque não há manigância que resista à realidade delas emanente: ruinas, se o são; lugares de culto, asseados e preservados; ameaças de descalabro ou queda; enobrecidas ou aviltadas, deixadas aos musgos ou deles escanhoadas.

As pedras são o silêncio, a ausência de falácias. Só por isso não mentem. E suportam facilmente todas as partidas primo-abrilinas. Com o que se poderia arranjar mais um dia  - o 1 de Abril - comemorativo, não propriamente das curiais questões culturais, políticas, "humanistas", enfim. Apenas da felicidade resultante de o nosso próximo, de quando em vez, nos merecer credibilidade.