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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Passado e Presente

João-Afonso Machado, 18.03.12

O piso, outrora rosado, térreo, fora entretanto pavimentado. Mas os bancos permaneciam no seu sítio e esse foi o ponto de encontro. Junto ao coreto onde jazem esquecidas as memórias dos grandes exitos dos Sixties transportados até à praia por muitos fios e altifalantes

Aí estava uma das engrenagens do Passado já não compatível com o Presente

(- Olá Paula!

- Olá! Viva!)

e muito menos ao alcance da Nikon e da Cannon, neste confronto de épocas e percursos.

Foi assim a tarde inteira. Com o Presente sendo nada mais do que é e o Passado um baú imenso de onde brotam penedos com nomes próprios, dunas de antigamente tragadas pelas grandes construções, cardos e camarinhas em lugar de gente aos magotes. E muitas, muitas histórias agarradas aos sítios, narrando-se felizes à passagem de qualquer interveniente ou testemunha. Do paredão à foz, em Vila do Conde, pelo rio acima até à nova ponte do metro, por quantas pracetas a modernidade produziu.

Ficaram muitos retratos. Alguns, apenas pintados com cores de espanto no conhecimento da Paula, uma vilacondense de não mais de há 12 anos. Outros, a demonstração de que o Passado ainda não desesperou de alcançar o Futuro. Enquanto se aguentar no Presente.

Não é recomendável viremos os olhos à realidade. Ela está lá, por muito que a tentemos ignorar. Mas custa sempre sabermos os cardos e as camarinhas substituidos por gente aos magotes. Afinal, também nos assiste o direito à reserva das boas recordações da juventude.