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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Daqui Lisboa

João-Afonso Machado, 13.03.12

SAXOFONISTA.JPG

 Alô, Isabel!!! As minhas felicitações - Carnaxide é realmente a melhor escolha. Senão veja:

Lisboa, 09h - Acordar para o dia em pleno Zoo da Avenida de Roma, cercado de felinos e aves canoras, sobre um fundo de águas verdes, com muitos limos e alguma vida. E um pouco de champô para o duche.

O tribunal seria o passo seguinte, após um copo de leite e um bolareco.

11h - Cumprida a missão forense é recebida uma encorajadora comunicação minhota. A alma sente-se soerguer.

12h - Um reencontro após trinta anos de ausência. Comovedor. Há mesmo algumas lágrimas, pior ou melhor disfarçadas. E logo o plano de acção: uma incursão à Graça.

13h - A Igreja de S. Vicente de Fora, o Panteão Real, a Feira da Ladra. Tudo de uma assentada. Subindo a Rua da Voz do Operário (ao ritmo de uma romagem aos tempos abrilinos), a incontornável conclusão: há fome.

13h.15.m - Bacalhau à Brás acompanhado de uma boa e sadia conversa. Graças a Deus! Também não esteve mal o queijinho curado.

16h - Há um miúdo à espera no Valsassina. Chelas, Xabregas, Casa Pia, de passagem, e , provavelmente, outros templos televisivos do crime.

17h - Cais das Colunas. O lisboeta descansa e molha os pés. El-Rei D. José voltou a impor o sossego no Terreiro do Paço. Há voares, há piares, umas quantas esquadrilhas de gaivotas, o mundo principia a desacelerar.

18h - Breve deambulação pela Rua Augusta. A vida é um negócio e um euro confere o direito a duas fotografias a um saxofonista envergonhado, escondendo a cara contra a parede.

18h.30m - O indiano (ou paquistanês) aproxima-se e pergunta, sorrateiro: «haxixe, marijuana?».

E foi assim, Isabel. Assim a tarde expirou num  monumental "hurra!", depois percebi porquê. Eram saudades de 1975; era, também, o orgulho de, finalmente, ser confundido com Willie Nelson. 

Mas tanta emoção ia dando conta de mim. E Carnaxide? Sempre na paz do Senhor, é claro!

Se lhe aproveitar o conselho, mantenha-a assim. Olhe: arrume daí o Balsemão, à cautela.