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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

O "nosso" Álvaro

João-Afonso Machado, 07.03.12

Quando o Ministro Álvaro Pereira sugeriu o negócio além-fronteiras dos célebres pasteis de Belém, a Oposição gargalhou e mesmo, entre os seus, não faltaram uns sorrisinhos superiores de gente bem pensante mas contemporizadora com a gaffe, o primarismo. Isso foi muito a sul da Mirandela das alheiras e umas semanas antes da Presidente Vilma aterrar em Pedras Rubras e dar ordens à sua comitiva para se dirigir a um dos mais luxuosos restaurantes da Foz do Douro - apetecia-lhe, ambrósios, uma boa bacalhausada à portuguesa. Mesmo sem ser daquelas filhas do povo, decerto vulgares na Ribeira, adiante um pouco, com o trânsito - nada mais que o trânsito - sempre a complicar.

O facto é que serenadas as gargalhadas e os sarcasmos, ninguém - rigorosamente ninguém - surgiu com um rissol alternativo à ideia de Álvaro Pereira. E porque não quero, apesar de tudo, pensar ainda - não há caminhos, porque creio ser a gastronomia e actividades correlactivas uma das melhores estradas por onde possam entrar fundos nos nossos esvaziados cofres, percebo que, uma vez mais, importante é bater no Ministro. Aliás, um homem com cara de boa pessoa.

Seguiu-se a querela do QREN e mais uma vaga de atoardas: ia haver remodelação ministerial. As Finaças e a Economia tinham entrado em litígio. O assunto assustaria mesmo o Ministro Miguel Macedo que, instado pelos jornalistas, respondeu lapidarmente: «não me façam perguntas pirómanas»!

Mas não. Tudo não passou de boatos, sempre boatos, Nem Gaspar parece do estilo de minar por dentro, nem Passos Coelho arriscaria agora substituições na equipa, o primeiro sintoma de que se está a entrar em perda.

E, entretanto, confirma-se: há gente por esse mundo fora a encher bem os bolsos vendendo pasteis de Belém. Ou, se calhar, muitos outros petiscos nacionais. Mais géneros de indústria, menos perecíveis é que, infelizmente, não.