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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Dos seus

João-Afonso Machado, 05.03.12

Ninguém conhece um administrador, são apenas andarzinhos de muitos rendilhados nas mesas onde o chá é servido. Ou a cevada, tão-só. No eco de fados tristes e enganadores. Porque os dias em nada se assemelham uns aos outros, embora haja uma época para o frio e outra para o calor.

É a praça!

Ampla, irregular no piso, analfabeta se lhe falam em cimento ou alcatrão. Apenas dizendo em granito e castanho maciço, numa certa entoação de bocados irregulares em que tropeçam os forasteiros. Alguém menos capaz de a ler.

Como tantos chegados com a noite. Como os mais idosos também.

A praça, quando não, dá-se a travessuras!

Mas ali vive um mundo incapaz de duas caras. Ou de dois olhares contraditórios. Um mundo desconhecido do que seria não ser. A todos cumprimentando todos os dias, como se todos os dias nascesse outra vez. Nessa pequena enorme praça circular, não sei porquê magnete de esplanadas, arena do sol. Onde para além de todos os passos e dialectos, depois de muita bizarria, permanecem as pessoas. Sem pretensões e na ausência exclamativa dos falares falsos. Guimarães, apenas, cidade dos seus e do sangue de quem não esquece o seu berço.

 

Curtumes vimaranenses

João-Afonso Machado, 05.03.12

Não tens cara de ter estragado o que fosse, embora fábrica. Há quantos anos? Pois, já os reunes em décadas. Vividas dentro da cidade sem cuspidelas aos rios. Se és um negócio próspero? Com certeza, não. Somente deste de comer. Aos patrões e aos empregados. E a vida prosseguiu vivendo sem alarmes, apenas dias após dia. Com a tua belíssima expressão, a falires ressuscitastes museu e tudo deu no mesmo. Até porque a marca vimaranense permanecia. Cortumes! Quanto falava deles o genial Camilo! Era o emprego das gentes, sem parentes nem colaterais a queixarem-se dos efeitos. Oxalá sejas viva e dês alimento ainda a quantos te servem.

Só nos deixas uma flecha no coração -  a sangrar porque, aparentemente, o bom-senso e o bom-gosto morreram quando nascia o século passado. Tantas regras proclamadas hoje, tantas regras hoje desmascaradas...