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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

O apito parado

João-Afonso Machado, 27.02.12

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É notícia: há praticamente um ano, o processo "Apito Dourado" está quedo. Na Relação do Porto, onde subiram uma série de recursos. Porquê? Porque um acordão, entretanto proferido, não foi devidamente notificado aos arguidos - Valentim Loureiro e  José Luis Oliveira. Ou seja: faltou a carta registada. Ponto final.

O Ministério Público acabou por se insurgir contra a situação, pretendendo apurar responsabilidades pela demora. Daí o douto despacho - «Trata-se de incidentes estranhamente anómalos num processo com as características do presente, mas que seria conveniente encontrarem cabal explicação que se promove  seja obtida junto dos senhores funcionários encarregados da tramitação».

Será necessário acrescentar algo?

Somente, talvez, terem ocorrido diversas prescrições, entretanto, que os arguidos não esqueceram de invocar... Sob ameaça de, caso seja decidido em contrário, avançarem para o Tribunal Constitucional.

Assim vai a Saúde em Portugal!!!

Entrementes, mais a sul, Isaltino Sem-Pavor, à força da espada, obtem contra os mouros êxitos idênticos.

Ah!, Ourique!, Ourique!

 

 

Conversa de almoço

João-Afonso Machado, 27.02.12

Serenamente a conversa não evoluiu para o omnipresente tema da Monarquia vs. República presidencialista. Teria sido um almoço curioso, presidido pelo heroismo de Cavaco Silva, apedrejado na jornada de Arroios, agonizando, mas ainda com forças para dizer: «Morro bem. Salvem a Pátria».

Não. Cavaco tornou-se uma desilusão. A sua Senhora também. De modo que não pude ainda avançar com a segunda linha de argumentos: e invocar a Infanta D. Adelaide, a sua vida de cem anos ao longo de quantas aventuras em momentos cruciais da História mundial; e a sua dignidade de sempre, a sua humildade e discreção - jamais em bicos de pés, pavoneando-se por aí a tentar dar nas vistas, aos pulinhos, "sou eu!, sou eu!, íntima da Senhora Infanta, fui a primeira a saber do seu falecimento!".

Porque, na realidade, à última hora surgem sempre os, afinal, amigos de longa data, em resmas de papel contendo propostas de epitáfios de duvidoso gosto. A vida política é um pouco disso tudo, sempre - e só - condimentada pelo infernal "politicamente correcto ou incorrecto".

A questão desta feita centrava-se no inimigo comum. O inimigo de qualquer português, portanto. O Estado. Essa entidade povoada de adoradores da deusa Ética que nos sorve em impostos todas as suas dificuldades em manter a sua prerrogativa de "Estado social". Como?- tributando-nos sem dó nem piedade como meio de obter fundos para manter hospitais e escolas abertas (que é como quem diz: institutos, fundações, parcerias e sinecuras afins), e assim continuar invectivando a iniciativa privada.

O meu Amigo e anfitreão, Engenheiro e Mestre, está de partida para Angola. Chefiará uma equipa empresarial encarregada de ali montar uma unidade fabril. E de, depois, entregá-la ("chave na mão") contra o pagamento do preço.

Oxalá José Eduardo dos Santos não tenha aprendido alguns dos piores hábitos do Estado português. O meu Amigo não merece mais desilusões.