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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Sobre o "direito" ao transporte de doentes

João-Afonso Machado, 20.02.12

Multiplicaram-se os avisos dos Bombeiros e mais entidades: não há meios financeiros que custeiem o transporte de doentes, pelo menos os de não gravidade extrema. Na sábia asserção de que este tipo de carências é sábio motivo para protestos e greves.

É o diabo!!! Uma doença tem, pelo menos, de render algo a alguém. Não da forma prevista pelo Governo. Quero dizer - legislar sobre um regime de "Viaturas de Transporte Simples de Doentes" é grave. Atentatório e doidivanas. A Liga dos Bombeiros, pelos vistos depauperados, sem  tesouraria para esse tipo de afazeres, protesta - a medida "é excessiva permissiva". (O que não seria, não fossem os rapazes maioritariamente voluntários...). E a Associação Nacional dos Transportadores em Automóveis Ligeiros" (ANTRAL), mais acessivelmente, os táxis, insurge-se e iça o labéu da "concorrência desleal"!

Em suma, o que pesa menos são as doenças dos doentes. A guerra - agora declaradamente - não é contra a falta de assistência aos necessitados, mas contra a ausência de subsídio beneficiando os pretensos auxiliadores dos ditos. Para que lado verte a mama, afinal?

Os taxistas já prometeram protestar na rua. O instante de Mangualde - como se meia-dúzia de apupos valesse algo - ameaça ecoar. Ecoaria sempre, mesmo que um doente disfarçado emergisse, de repente, como um assaltante. Ninguém está contente, todos pensam em si mesmos.

É tempo da Direita não partidária voltar à fala. Em nome dos portugueses e da sua saúde, que exige rapidez e minimização de custos.

 

 

Adeus moínho de tantas décadas

João-Afonso Machado, 20.02.12

Adeus, velho moínho, berço de tanta farinha, maternidade arruinada, sala de visitas, presença de uma vida inteira. Não foram apenas as tuas telhas a cair, nem eram de granito, como a tua, as outras almas. Tudo é findo, somente o caminho parece não ter termo nem chegada. É partir, sem olhar para trás. Pensando na largueza de um mundo inteiro para retratar e a suar o espírito barrando a passagem a essa ideia quase fatal -  a de não te voltar a ver.

A vida é assim. Um oceano de tristezas onde navegam cabeças erguidas, dispensando a caridade de um tecto disfarçada na arrogância das palavras. Sem dúvida, antes a morte do que a liberdade perdida.