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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

O terceiro Cardeal português

João-Afonso Machado, 17.02.12

A História regista, pela primeira vez, três portugueses, em simultâneo, integrando o Colégio Cardinalício. São eles, D. José Policarpo, D. José Saraiva Martins e, agora, D. Manuel Monteiro de Castro. Estes dois últimos residindo no Vaticano.

É seu múnus -de D. Manuel Monteiro de Castro - tratar dos "casos do foro interno da consciência".  Questão não de somenos importância, penso eu.

A Imprensa não deixou o facto passar ao largo e entrevistou-o. Como encararia o novo Cardeal as suas funções?

Como uma honra, antes do resto. Uma honra para Portugal e para si mesmo, humildemente à espera que lhe dessem ordem de retorno à terra, septuagenário que já é. Mas também com a visão dos tempos. De um Passado atroz, do Presente dificultoso e do Futuro feito de esperança.

Disse: "Nós fomos grandes quando a formação religiosa era boa. E tivemos problemas em Portugal quando quiseram acabar com a Religião (...). Os Governos que entraram e procuraram acabar com a Igreja e com a Religião, foram esses que nos deram problemas e foi aí que o País baixou".

Evidentemente, a mensagem tem um sentido histórico. Ultrapassado? Pois está bem. Nenhum espírito avisado assim o crê. A guerra republicano-maçónica dirigida às instituições espirituais - mormente a Igreja Católica - é um facto actual e o recém-Cardeal quis apenas ser diplomata.

Porque o abate de valores morais prossegue. Em nome de uma pretensa liberdade, sem eufemismos traduzida em vacuidade.

 

Nasce o dia

João-Afonso Machado, 17.02.12

A alma explica quando é, consoante a época do ano, o minuto do renascimento. E acorda-nos, pedindo-lhe, para o presenciar e viver as suas primeiras vozes, tantas elas são. Tantas mais podem ser. Muito feitas de formas e cores que se vão despindo ante o nosso olhar.

Seis da manhã: vem aí o dia. Entrando, todo ele, pela frincha que a alma deixou na janela, essa lasca entreaberta por onde os quadros da parede retomam os seus lugares, e as estantes, o armário, a dobra do lençol. No fim das brumas varridas de uma claridade que lhes devolve os olhos.

Assim o mundo emerge em contornos de mulher. Solidificando sombras com pingos de tinta de tonalidades diversas. Tal como o Humberto - há quantos anos!? -  se lhe entregávamos o rolo das fotografias e ele - "para a semana estão prontas..." - logo a escapulir-se para o quarto escuro, entre dúzias e dúzias de peliculas banhadas em não sei que liquido, ou postas num fio a secar ao sol de tanta negritude.