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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Novela em andamento

João-Afonso Machado, 15.02.12

Retratos, enfim. Péssimo sintoma seria, por isso, o seu perecimento. Qual o estado, perguntaríamos, das paredes entre as quais as vidas jogam às escondidas?

Porque a novela busca isso mesmo: mostrar o lado oculto das vozes, esses timbres mais roufenhos de olhar turvo. O lado tantas vezes inconveniente, escapadela permanente dos baús das almas dúplices. Ainda assim, recorrentemente, entre as muitas facetas ensaidas o lado mais genuino da nossa quotidiana ópera bufa. Dispensando os nomes de personagens, deixando-as livres de se identificarem pelos seus gestos.

A novela não pára enquanto houver um alento de vida. E de olhares, de sons, de sentimentos e argumentos. Isso mesmo: de poder de observação brocando vernizes, ditos de circunstância, vacuidades e opacidades. Em todas as bifurcações, quer pelos trilhos da agressividade, quer entre os lençois de amor e linho.

Assim se teme a novela. No que ela tem de espelho. Quando bem podia ser um confessionário... acusam-na de sala de audiências de julgamento!

(Vejam-na antes como uma mesa de amigos no café. Em que a própria vítima do conto do vigário se ri da sua desdita e se despede do empregado com uma gorjeta. Claramente porque a novela tem imenso de autobiográfico.).