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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Produção própria

João-Afonso Machado, 13.02.12

J:\FOTOS\V. N. FAMALICÃO\PINDELA\VINHAS, HORTAS E

O terreno foi disponibilizado e houve logo quem pegasse nele. Gente urbana, evidentemente. Não falham um fim-de-semana, chova ou faça sol. A par com as iniciativas oficiais. "Horta à porta", li hoje nos jornais... Respeitável iniciativa da Câmara tripeira. Com uma procura altamente excedentária em relação à oferta, na área do Grande Porto. Mais de 1900 pessoas aguardam a sua oportunidade, um rincão de terra para cultivarem e assim se defenderem da carestia de produtos hortícolas. Anseando pela agricultura biológica, por uns metros quadrados de segurança própria.

(A ideia não é nossa. Praticada no Norte da Europa, sempre a defendeu cá o Arq. Ribeiro Telles. Já há muitos anos...).

Com a famigerada crise, centuplicam os pedidos de um espaço, um vagar para feijões e hortaliças, sobreviver é a palavra de ordem. Onde já se pratica a troca directa.

Assim em Braga (Tibães), Guimarães, Aveiro e mesmo Lisboa (mais precisamente na Quinta da Granja, a Benfica).

Em V. N. de Famalicão, o arrendamento de pequenas parcelas para hortas há muito está em funcionamento. O sacho faz a felicidade dos utentes, descomprime-os e enche-lhes a banca da cozinha. Força nisso!!!

(O espaço que ocupo, cedo-o. É minha intenção subir no mapa até aos Arcos e à Barca. Corricando os afluentes do Lima, à cata da truta fario. Vai não vai, enriqueço no mercado das vilas centro-minhotas. Se Sócrates me aparece pela frente, vendo-lhe um ciprinídeo como fosse um salmonídeo. Ele não perceberá, mesmo engasgando-se em cada espinha que lhe entre na boca.

Para ladrão, ladrão e meio..., diz usualmente a nossa gente).

 

Ardendo em verde

João-Afonso Machado, 13.02.12

Labaredas de verde perpétuo subindo uma chaminé sem fim, alouradas pelo sol como se o Inverno fosse uma fantasia. E, cá em baixo, a acendalha, pequena mas áspera, comburente de ideias e momentos sem par. No instante da ignição da pira silenciosamente inofensiva, acolhedora, filha de um deus bom.

Olho-a na tristeza de não ser o meu lugar na História. Ou na incerteza de qual o meu recanto no Mundo. Sempre esperando desencantar alguma semelhança com esta caixa de fósforos e de sonhos. No mesmo acorde da brisa e das águas do ribeiro.