Pedro em passos de coelho olha o Vasco
Talvez a falha esteja nos seus consultores de imagem. Mas algo há a mudar. Deixemos lá a camisinha branca e aquele nó enchumaçado e garrido ao pescoço, o fato de bom corte e melhor marca. Não, não é assim. Tragam o tweed espinhento e gasto, reforçado nas cotoveleiras; umas cores mais garridas e os colarinhos enrolados nas pontas, trapalhões. E, é claro, uma gravata de poliester.
Depois despenteiem-no. Criem-lhe umas entradas no cabelo. E ensinem-no a gesticular desordenadamente, com o seu quê de insanidade mental. Em altos berros, sempre.
Verão o resultado.
O nosso 1º Ministro, comprova-o a História, de imediato adquirirá autoridade moral. Será ouvido da Esquerda à Direita. Dos jovens promissores professores universitários, prenhes de esquerdisitas ideias salvíficas, aos "precários", passando pelas femininistas e pelos betos, pelos sindicalistas e pelos trotskistas. Ninguém mais quererá discutir o aborto ou o acordo ortográfico. Apenas o Benfica e o Sporting, enquanto vagarosamente (mas entusiasmadíssimos) descerão a Avenida da Liberdade, palco de todos os patriotismos congéneres. Seja por convicção, seja por medo de que alguém note a ausência, serão milhares, serão milhões. Todos comparecerão e se disporão à perda do feriado. Já agora - e uma vez as multidões levadas ao rubro - que fique o Carnaval para folgança, por troca com o 1º de Maio. Aliás, com muito maior carga simbólica para comemorar mais este passo rumo à vitória da batalha de produção.
Trabalhem, Senhores Consultores. Se querem Pedro Passos Coelho governando em apoteóse e a Pátria com ele. Sem excluir a Associação "25/Abril", Louçã e o sempre atento Rosas (não vá Salazar ressurgir...), o PCP em peso, Seguro eufórico e Arménio convicto, todos de cravo vermelho ao peito, em memória do Futuro e do nosso inesquecivel - perdão, ia dizer Mao Zedong - camarada Vasco Gonçalves.
