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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

A cabrada ou Paris?

João-Afonso Machado, 08.02.12

Senti-me hoje um Passos Coelho famalicence, o 1º Ministro lá da minha freguesia, eu e ele alvos da assanhada Esquerda moderna, defensora dos direitos dos cidadãos, eterna guardiã do Progresso e da modernidade. Essa Esquerda que desde 1789 não é antiga nem mutável, sempre moderna e bem falante.

Passos recomendou aos portugueses pouca pieguice, terrível injúria, com incalculáveis consequências nefastas, não fora a heróica intervenção de Zorrinho, Louçã, Arménio e não sei se mais algum cavaleiro dessa Távola Redonda, de espada em punho, exigindo desculpas, afagos ao povo ofendidíssimo. Mas sem um cêntimo para uma ambulância que transportasse os mais contundidos na refrega.

Na parte que me toca, atrevi-me há dias a lamentar o fim das profissões tradicionais (no caso, ribatejanas), a par com a sobrelotação das universidades fazedoras de desempregados.

Deus meu, no que aquilo deu!!!

Atacado pelo Batalhão Voluntário do Jugular, vi-me transformado em latifundiário inconformado e vilão (apenas nos sentimentos, nunca nas origens...), vociferando contra a audácia desses rapazolas que largam o ofício de ferrador para se instruirem nas letras e nas ciências... Bradando contra estes tempos insuportáveis em que os serventuários fogem todos.

Lá fui, ao Jugular, deixar uma notinha - de estupefacção ante tanta incapacidade de perceber, ante tanto preconceito. A resposta do cronista saiu ainda mais distorcida. Sem embargo, tornarei lá: são assim os meus links... Não será por outrém que ele ficará a saber dos meus escritos que o atingem.

E que fazer de Portugal, com esta Esquerda à solta (querem ouvi-los jurar que eu propugnei a prisão da rapaziada?...)!!!

Já Herculano se refugiou desgostoso no seu Vale de Lobos. Lamentavelmente, não me posso dar a esses luxos. E lá vou continuando a ajudar o meu irmão Gonçalo a vindimar ou a mungir as cabras. Ou será que devo reingressar na Universidade? Em Paris, por exemplo, sorvendo toda aquela ambiência de la Gauche (toujours moderne).

 

Poente

João-Afonso Machado, 08.02.12

Sobre as águas, as últimas résteas de credulidade. Estranhamente. Ou tão-só porque a certeza fosse excessiva. A certeza diária do pôr-do-sol, é claro. De uma areal solto e solitário, por imposição do mês calado, sem verbo. Falassem as vozes, por solidariedade austeras. Foi o que foi, na incompreensão das chuvas que não vêm.

A grande bola enterrou-se aguda como os pregos na cruz. No preciso momento em que a beleza disfarçava a dor. A pedir silêncio. A clamar por silêncio. No limiar da compreensão.

Aliás, como qualquer linha do horizonte. Porque amanhã será sempre outro dia. Outra história.