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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

"Montes"

João-Afonso Machado, 06.02.12

CHÃS - CABEÇO.JPG

Aprendeu os penedos e as fragas,

o silêncio do sentir

e os segredos a cobrir as dores

e as mágoas.

 

A alma quedou as suas cores e viveu a neblina

sem uma lágrima, um sorriso,

entre os cardos da colina.

 

Mas urge rompa a primavera,

sangue do verde

seiva da hera,

afluxo violeta-rosa-amarela,

 

ou o instante do cometa,

luz no breu, vitoriosa,

enfim, Senhor meu,

no frio da tua cela.

 

 

 

Momentos de um país de doutores

João-Afonso Machado, 06.02.12

Falar com um ribatejano de gema, já se sabe, é voltear cavalos, memórias dos seus heróis equídeos, exponenciar esperanças no futuro dos potros, enfim, louvar a festa brava... E comer um petisco bem demolhado num copito. Foi assim, em parte, este fim-de-semana.

Há os mais e os menos apetrechados. O meu anfitreão mantinha as suas quatro éguas, duas poldras baias também, liam-se os seus olhos, porque isso era mantê-lo vivo. Agarrado ao seu mundo de sempre.

De modo que esse foi o tema da conversa. As obras no picadeiro, as atrelagens a necessitar restauro, as rações, as semeaduras... Até chegarmos ao ponto que mais me interessava, mácula que há muito já se sofre aqui no Norte:

- E para ferrar os animais? Não faltam os ferradores?

Pois, isso começa a ser um problema. Os ferradores, os corrieiros, gente que saiba lidar com os breaks, as charrettes...

- Tenho aqui um tillbur todo desmontado... A capota a estragar-se...

Neste Portugal de desempregados, falta pessoal para trabalhar na terra dos cavalos, nas correlativas especialidades. Quer-se um ferrador, e ele dificilmente aparece. Ou melhor: é certo, já andam aí uns jovens, holandeses ou belgas, conhecedores do ofício, a oferecer os seus serviços no Ribatejo.

Azaradamente, a preços a que se habituaram nos seus países de origem.

Mas não quem nos tire a miragem da Universidade, julgo. Até para poder barafustar contra o elevado custo das propinas.