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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Tresmalhados

João-Afonso Machado, 05.01.12

Pode não parecer, mas é brincadeira. Uma encenação, pura e simples, frequentemente repetida: em boa verdade, para além do choque, palavras soltas e bem audíveis, ninguém se magoa. É só para impressionar.

E os socialistas tem as suas razões. Obviamente eleitorais, pois que outras? O facto é, porém, que assinaram o memorando da Troika, residindo a maçada no previsivel descontentamento popular. Há que estar atento... Qual o alcance das suas consequências? Os partidos da coligação governamental suster-se-ão? Cederão às pressões? Haverá sufrágio antecipado?

É este o ponto para onde convergem as atenções do PS - novas eleições, hipotéticamente! E, então, nada como deixar as sobrancelhas de António José Seguro franzindo bom-senso e apelos à moderação: enquanto Alberto Costa, Vitalino Canas e o heroico Alegre ameaçam com o Tribunal Constitucional apreciando o Orçamento de Estado, por eles próprios apresentado nessa Instância.

Assim se colocando na linha da sucessão, mesmo que Seguro segure o partido. Se a coisa corre mal... pois sempre tinham ficado do lado do povo, ao arrepio da vontade dos "camaradas colaboracionistas com a Direita". Se o OE passa... nada mais ocorreu senão uma salutar polémica, como outras tantas que caracterizam o pluralismo do PS.

Tudo isto, como se vê, eivado dos mais nobres princípios. E da Ética de sempre.

 

Parabéns!

João-Afonso Machado, 04.01.12

Mesmo quando não há já nem hoje nem amanhã, este é o teu dia. Parabéns, minha querida Irmã, é apenas a sarna do trabalho que me impede de ir a Lisboa ter-te com os teus filhos, com o António e com uma proximidade que não é maior nem menor, mas se sente mais acesa nos objectos, nos espaços, nos gatos peludissimos... nos olhares e nos crónicos raspanetes com que gosto de sarrazinar a miudagem.

Fica para outra vez. Cá ou lá, bem sabes deixou de importar. Desde essa nossa viagem num carro preto até aos Prazeres, em que te acompanhei, em momento algum duvidei regressarias comigo. Para sempre. Como a minha querida Irmã, a única a quem eu disponho fontes inesgotáveis de beijos. Muitos, muitos beijos.

Como este, enorme, no dia dos teus anos.

 

 

«A noite no cais

é o outro lado da vida.

Diz a luz para onde vais,

tu que partiste

e ris na água reflectida»

 

(in Margarida, ed. DG Edições, 2010)

 

Ao terceiro dia...

João-Afonso Machado, 03.01.12

Pus-me finalmente fora de portas, arrisquei descer à rua, a medo, é certo, mas com aquela irresistivel vontade de vêr o 2012.

Tomei os meus cuidados: blusão já em fim de vida, o cartão multibanco escondido nas meias e alguns trocos no porta-chaves. Sem telemóvel.

Nada surgiu, porém, que atemorizasse. O homem do quiosque recebeu-me com a habitual cordialidade e não carregou no preço do jornal. Folheando rapidamente o periódico, enquanto diziamos aquelas cortesias próprias da época, as costumeiras notícias: um gang de teenagers assaltou uma velhinha no seu domicílio; o outro acertou três tiros na "companheira", testemunhados pela filha desta; uma pastelaria assaltada, umas dezenas de pessoas no desemprego, algumas centenas com salários em atraso; mais uma caixa ATM arrombada por um ariete, não sei quantas famílias declaradas falidas...

O habitual!

Aventurei-me depois no restaurante. Sempre queria ver essa bizarma do IVA. (Até porque o patrão, o Sr. Mário, amigo de longa data, não permitiria desacatos...). Mas não: creio mesmo, se paguei mais foi se comi mais. E saí contente, aliviado, tão descontraído quantos os que transitavam passeio fora. Ou devoravam o seu bocadinho de sol nos bancos do jardim da Rotunda.

 

Segurança...

João-Afonso Machado, 02.01.12

A gente fala, ninguém atenta e as maçadas vão acontecendo. Não seria importante não fosse um prenúncio. Para os que não gostam de ficar em casa.

Foi nesta passagem de ano. As hordas da periferia acharam por bem assolar a beira-mar. Vale dizer, o lugar dos magnatas. Há registos.

Nomeadamente de um grupo de mais de 20 jovens, entre os os 15 e os 20 anos, eles e elas, oriundos de Ermesinde, rumando a Foz do Douro. Onde, supostamente, decorreriam os festejos dos "ricos".

De modo que a algazarra foi patente nos meados da madrugada. A pequenada saída dos bares esteve sob mira. Entre garrafas partidas a meio e correntes metálicas, valeu tudo. - Passa para cá...

Passa para cá a "massa", o telemóvel, o relógio. Foram bastantes as vítimas. E os fisicamente lesados, com passagem pelo hospital. Os jornais relatam cenas de absoluto desvario.

Um facto inédito. Sobre o mesmo, pronunciem-se os habituais antropólogos. Cá por mim sem recônditas intenções, sem acutilancias apontadas, traduzo o sucedido em português claro - facto inédito! Onde vai o Porto pacato dos nossos filhos saindo à noite sem alarme?

Está onde não estão as 200 viaturas da PSP encostadas por avaria, sem meios para as reparar.

Está onde está o farwest. Só não mais sanguinolento se o Estado tiver algibeiras para pagar às forças de segurança.

Até lá... cuidado com o Carnaval. Todos podemos chegar à boite demasiadamente tarde...

 

 

 

Um dia de festa

João-Afonso Machado, 01.01.12

A cidade é um deserto, está-nos por conta. Esmolas? Porque havia este dia de ser diferente dos outros? Gozemos, pois, a ausência de atropelos, o paraíso do silêncio, da imobilidade das portas. Até parecemos bem instalados e não chove, sequer o frio é de morte. Será um bom ano, este 2012, igualzinho aos demais. Com um pouco de sorte nem alcançamos 2013. Ou será que é verdade querermos viver?

Bah!, deixemos essa discussão para depois, ainda falta o giro pelos contentores do lixo. À montanha de garrafas de espumante que os inunda, tantas são as caixas de doçaria transbordantes, o almoço parece garantido, rija festa nos aguarda.

Vá, levanta-te, não sejas preguiçoso! Já passa da uma da tarde e eles são bem capazes de acordar e sair, como se a rua não fosse só nossa. Olha que não chove e quase não se sente o frio... Ainda nos esquecemos de comemorar o Dia da Paz que é hoje!...

 

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