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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Cabras.... do rebanho

João-Afonso Machado, 30.01.12

Lembro a morte do tio João e o seu testamento: as cabras iam lá para casa. Foi bicho de que sempre gostei. Aquelas pupilas rectangulares, sem um bocadinho de vivacidade, as "pistolas" que mugiamos antes de aprender a evitar os coices das vacas mais manhosas. E as cabras vinham-nos à mão, se para comer fosse. E, enquanto comiam, até deixavam a gente fazer-lhes umas festas. Na sua voracidade tornavam-se domésticas, como gatos ou cães. Eu gostava de cabras e das suas cores, sobretudo das acastanhadas, pintadas de preto no dorso.

Lembro a poda que as roseiras levaram no jardim, um dia em que elas fugiram, e a imposição indeclinável da Avó: as cabras para a feira! Já!

Ainda assim, continuo a gostar de cabras. Das suas pupilas rectangulares onde não paira um laivo de inteligência; e dos cabritinhos recém-nascidos, autênticos brinquedos.

Ainda assim, branquiças, não lhes quero mal. Somente, é como tudo: os anos pesam e as vedações de arame são um tormento. As minhas cadelas dizem o mesmo quando as perdizes já vão em aterragem forçada. Raios partam as cabras!!! Porque não se quedam como as vacas?

É isto, a bem dizer, diariamente. Agravadamente quando o rebanho decide seguir-me em fila quase indiana lá para os meus confins. Diabo de animais! Portem-se como os cavalos, os burros, os bovinos, o gado de bem. Mas não - aí vêm elas - mé-mé-mé - atrás da gente que vai, de arma em punho, tratar de coisas sérias.

A confusão torna-se, então, total. Raios as partam -  e delas emane o excelente queijo que, às vezes, nos aparece ao almoço. 

Viver com cabras, se não for uma tragédia, é uma lição de optimismo.

 

 

 

Assalariados não produtivos

João-Afonso Machado, 30.01.12

Subitamente, em Portugal, regredimos a uma discussão politico-filosófica marx-engeliana. Afinal, havia (e há) uma classe dependente profissionalmente que não participava no processo produtivo. Não eram (são) proletários, sequer são também patrões de si próprios. Onde colocá-los na dicotomia explorados- exploradores?

Marx e Engels deram voltas aos textos. Creio que acabaram posicionando-os do lado dos bons. Contra os cow-boys. E o mundo foi avançando até, aparentemente, o terminus da luta de classes. Há muitos anos que - falo de Portugal - os comunistas, à falta de tema, se dedicam aos direitos das minorias. Com proveitos, por exemplo, para a tropa gay.

Os ventos económico-financeiros mudaram, como é do conhecimento de todos. Ante o gozo da CGTP, entretanto quase esquecida.

Agora temos a Troika, a austeridade e alguns complicadíssimos problemas pela frente. O do desemprego à cabeça.

O discurso da Central Sindical rejubilou. Finalmente!

Arménio Carlos (membro do Comité Central do PCP) apressou-se a trazer à colacção a luta de classes, aquando da sua eleição para a cabeça da CGTP. Eles estão na rua, novamente! Conforme a sua vocação de origem. Não será dificil adivinhar o programa que se segue.

Somente, tenhamos bem presente - na frente da contestação não estarão os (soi disant) proletários. Como sempre - e exclusivamente - os assalariados não produtivos (prestadores de serviços?),  funcionários dos sindicatos. Falemos claro: os agitadores de profissão.