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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

O Fado, património da Humanidade

João-Afonso Machado, 19.11.11

A candidatura do FADO a Património Imaterial da Humanidade, a ser apreciada pela UNESCO já na próxima semana, decerto resultará numa valia imensa para a Cultura portuguesa. Tão mais importante quanto nos sabemos de bolsos vazios, desmoralizados e empobrecidos ao extremo, financeiramente entregue à caridade dos grandes portentados. E à sorte, ao Destino, cada vez mais à sorte e ao Destino. De modo que um pouco de identidade reconhecida mundialmente em nada nos desajudará. Pelo contrário.

Resta somente tentar perceber o que é hoje o fado. Possivelmente, o espectáculo, as luzes e o som, sobretudo. Os grandes palcos, as grandes multidões, os grandes nomes consagrados. Algo cujo interesse não se discute mas esquece e apaga o original mundo fadista, o recanto castiço onde Amálias e Marceneiros principiaram a brilhar e a construir esse tipo de canção tão só nossa.

Há ainda, aqui no Norte, "buracos" desse jaez, onde cantadeiras sexagenárias nos entretém enquanto o caldo verde fumega, ou o jarro de tinto acompanha as pataniscas. Sem pejo de, nos intervalos, virem às mesas impingir os seus próprios CD's. E em Lisboa? Ainda existe o eterno apaixonado da estrela fadista, jurando cortar as veias se nessa noite não compuser o poema ideal com que a homenageará?

Foram tempos de um Bairro Alto entretanto transfigurado. O vinho já não diz exageros desses, é de crer, e as noites acabam mais em violência do que em melodias tropeçadas escadinhas abaixo. 

Valia a pena reconstituir essas tavernas "à Severa". O fado é também um inigualável ambiente, os xailes negros e umas guitarras centenárias à ilharga, e não somente os memoráveis triunfos no Olympia de Paris...