Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

O microfone é uma arma contra a burguesia

João-Afonso Machado, 10.11.11

Estivesse eu, esta tarde, em Lisboa e daria um salto a S. Bento. Não às galerias, obviamente, a essa imensa estopada debruçada sobre discussões intermináveis entre ministros e deputados, deputados e deputados, porventura ministros e ministros, com profusa troca de argumentos, in casu – ainda por cima! – numéricos. Não, de todo!

Antes me deixaria estar pelas imediações da “Casa da Democracia” (delicioso, ternurento neologismo) de olho nas movimentações dos turistas. Mais exactamente num bizarro grupo que se fez anunciar para hoje, a tal “Plataforma 15 de Outubro”, uma congregação de outros curiosos viajantes como a “Acampada Lisboa”, os “Precários Inflexíveis” ou os “Indignados”.

Algo parecido com um Greenpeace político. Ecologistas, dispostos a acções espectaculares contra a poluição e os bárbaros atentados à pobreza e austeridade da natureza humana.

E a arma desta feita utilizada será o microfone. Isso mesmo, o microfone! Esse aparelhinho que nos permite ampliar a voz, torná-la eco portentoso, asneira ou não, capaz de perfurar as sólidas paredes de S. Bento, os tímpanos dos governantes. Explicando a estes, em suma – e à vez – que a democracia representativa tem as horas contadas. Viva a democracia participativa!, plena de vigor e futuro, ali mesmo, no microfone circulante de mão em mão.

Ah, se Cohn-Bendit vos visse, meus rapazes!!!

 

Prisioneiro

João-Afonso Machado, 10.11.11

Está para lá dos buracos. De toda essa malha de ar que passa e retém o mais. Um nada para lá. Quase nada para lá… e tão inacessível!

Imperou nos ares, voou mais alto, as suas asas eram sempre uma sombra ameaçadora. O seu olhar uma promessa de fim.

Hoje… ficou para cá da redoma. Inconformadamente, como se os buracos fossem realmente escapatórias e não uma rede, o cárcere, a morte da liberdade.

 

Histórias da Carochinha

João-Afonso Machado, 10.11.11

Pois é, Ritinha. Lembrada dos tempos em que me emporcalhaste os lençois, utilizaste as minhas passwords e fizeste desaparecer o blog. Só uma ordinária como tu!!! Felizmente consegui recuperar a escrita de 14 meses e aqui estou a jurar-te que hás-de cheirar a esturricado como daquela vez (foi no aniversário de quem?) em que acendeste um cigarro com uma vela e ias ardendo em labareda. Já hoje ralhei a quem te embrulhou num guardanapo para abafar as chamas. Porque sempre servias melhor como um leitãozito seco, de carnes de terceira, do que na traiçoeira atitude de quem se diverte a incomodar o próximo com cartas anónimas e telefonemas a desoras. Não quererás voltar ao teu balcãozinho na Baixa? Ainda arranjavas um taxista que te consolasse...

O historial não fica por aqui, descansa...

 

 

Desbastando

João-Afonso Machado, 10.11.11

Talhões de vida. Recortes geométricos que havemos de fazer com o rigor do que é. Aborrecido? Pois então vá a existência pela janela fora. Como quem se deita a si mesmo. Como quem fecha os olhos à realidade e se entretém com policromias a divergir na convergência da realidade.

O mundo somos nós e as notas musicais que lhe dêem sentido. A terra sólida debaixo das euforias e do chorar solitário. É esta luta. Uma construção. 

A coerência de ir até ao fim. O respeito devido a quem não nos volta as costas.
Espigas tratadas da semente até à colheita. Nunca esquecendo a sede, jamais deixando de regar os afectos como se nos faltasse – a nós – a água (pingue-pingue-pingue) de todos os momentos.