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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Justiça popular

João-Afonso Machado, 07.11.11

Os ladrões foram travados por populares. Excelente! Ao que parece eram estudantes, não se sabe exactamente de quê, mas não é impossível frequentassem a, aqui no Porto, chamada “Universidade da Areosa”… Enfim, a proeza ocorreu no Carregado, em mais um assalto a uma joalharia, e lojistas vizinhos e transeuntes, todos deram uma mãozinha de que resultou a frustração do golpe, um fugitivo e um capturado. Na reportagem em directo, antes do telejornal, Serenella Andrade, excitadíssima, entrevistava, entrevistava, entrevistava (assim silenciando Jorge Gabriel e Sónia Araújo) e lá fomos percebendo que o rapaz estava vivo. A polícia chegaria a qualquer momento para o levar ao cumprimento das formalidades.

Já a semana passada, em Guimarães, os “populares” deitaram o laço a dois assaltantes, desta feita de uma residência. Uma vez mais a policia acorreu quando pôde, tendo-os recebido e conduzido em muito fraco estado de conservação.

Portanto está tudo mal. Nem existe policiamento nem existirá conta peso e medida na acção directa ou no estado de necessidade. Muito provavelmente não escassearão casos de enganos, confusões ou mal-entendidos a provocar as suas mossas em pobres inocentes. Enquanto a polícia não vem, é claro.

São questões que têm a ver com o Estado de Direito. E com o “Estado Social” também – porque dentro das funções deste inclui-se a de garantir a segurança dos cidadãos. No que, todos sabemos, vem falhando redondamente.

E enquanto Serenella Andrade, excitadíssima, entrevistava, entrevistava, entrevistava, em nota de rodapé via-se o título da reportagem: “Justiça popular”…