Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

"Democracia participativa", ouvimos nós

João-Afonso Machado, 16.10.11

Nestas voltas de indignação que, mais ou menos, agitaram o País este fim-de-semana, voltámos a ouvir falar – com grande ênfase – na “democracia participativa”, como a cura genial para os males que nos afligem. Vale dizer, os manifestantes reclamavam exaltadamente o seu direito de intervenção na vida política nacional, porventura substituindo-se à famigerada “classe política”.

Talvez não seja despiciendo constatar que a antinomia “democracia representativa” / “democracia participativa” não é assim tão notória. A primeira evidência da participação residirá na escolha dos representantes, necessariamente pelo método eleitoral. Ora, ninguém esquece os estrondosos e sempre crescentes níveis do abstencionismo nos anos e nos escrutínios antecedentes.

O que, inapelavelmente, traduz o alheamento dos cidadãos face às grandes questões políticas nacionais. Se carregados de razão na sua descrença? Talvez. Mas a constituição de novos partidos nunca foi vedada; e, no plano autárquico, a liberdade de apresentação de listas independentes funciona plenamente. Por isso…

Sejamos francos, sinceros. Não quisemos saber, pura e simplesmente. Limitámo-nos a alardear o nosso desprezo pela gente dos partidos. Até que a crise nos bateu à porta e começámos a perceber o alcance dos seus efeitos. Só então parecemos ter acordado… - eufemismo meu, frente à televisão, assistindo às imagens das manifestações e dos manifestantes. Está lá tudo claramente explicado, apenas com o cuidado de não utilizar terminologias antigas como a “democracia burguesa” versus “democracia popular”. Demagogia pura, em suma. Até porque ai de quem faça frente a Louçã na chefia do BE… E por muito menos de um alvitre quanto à pessoa do secretário-geral do PCP se expulsa um militante deste partido…

 

Das "Memórias de um Átomo"

João-Afonso Machado, 16.10.11

Meu prezado Amigo João de Távora:

Como ninguém, o meu Amigo conhece a pátria História por dentro. Portanto, decerto, não ignorará este tocante episódio de beligerância em que galhardamente as cores da nossa bandeira se destacaram com abnegação e estoicismo. É o caso da invasão das terras minhotas de V. N. de Famalicão pela hoste olissipo-britânica do Turf, dito Sporting Club.

Eu estive lá. Pelejámos à bolada. A superioridade das forças adversas era manifesta. A táctica adoptada seguiu fielmente a ora designada movimentação do (sempre estes anglicismos..) football.

Não queira o meu Amigo saber! Melhor armados, robustos e bem nutridos, os olissipo-britânicos atacaram em toda a sua pujança. Invadiram e instalaram-se no nosso reduto. Mas quê? Qual os escassos 300 espartanos de Leónidas, também o poderio desses apaniguados do poderoso Xerxes foi baqueando. Caindo um após um, com amarelos ferimentos para nós, é certo, sempre em volta do último e sagrado reduto.

Tão descompensada batalha captou a simpatia dos mais generosos. Dolores Ibarruri, transfigurada de azul-branco, revivendo a eterna resistência de La Passionaria, ouvimo-la gritar, incentivar, incansável:

- No pasaran!, no pasaran!...

E os passarões não passaram!

Mesmo o arcano Artur Agostinho, não se poupava de exclamar:

- Muito bem! Muito bem!,

reconhecendo, inequivocamente, o mérito desta peonagem valente e sacrificada. Portuguesa, do melhor que há em Portugal.

Depois foi a breve trégua de um quarto de hora. O General ordenou eu fosse rendido. O mais, conhecerá o meu excelente Amigo sobejamente. Direi apenas que caímos aos brados de

- Viva o Futebol Clube de Famalicão!!!,

(não guardando ressentimentos por ter sido rendido…) e só acrescentando que o halali foi inquestionavelmente grandioso. Heróico!

Jura-me o Padre Serafim, das santas Terras de Basto, temos o nosso lugar assegurado nos anais lusitanos. Entre os entes celestiais também.

Com pesar, mas sempre orgulhosamente, despeço-me pedindo aceite o meu estimado Amigo os respeitosos cumprimentos do seu admirador

 

J. da Ega