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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

"Português suave"

João-Afonso Machado, 18.09.11

(Apontamento publicado na revista The Printed Blog, ano 1, nº 2, Set. 2011)

Provávelmente - eu sou um pessimista por natureza... - não andaremos longe do tempo em que será menos dificil descobrir um português do que, a olho nú, dar em cheio com o "esconderijo" de Portugal. E então seremos levados a dizer que a Nação portuguesa está onde estiverem os seus nacionais. Tudo isto, assim abreviadamente, para concluir que Portugal são os portugueses, acima de tudo. É uma Cultura com tendências cada vez mais errantes, mundo fora. Com todo o respeito que me merece o nosso território e as fronteiras que o demarcam ou deviam demarcar. Porque esse é o grande ponto de interrogação, filho de uma história que não cabe aqui e, mais próximamente, de uma economia arrasada e deste entranhado sentimento de que assim não vamos lá.

Mas os portugueses, ao longo dos seus séculos, distinguiram-se essencialmente como andarilhos. Nem vale a pena adiantar exemplos, senão o mais recente da emigração. Das privações que determinaram a sua diáspora para a Europa rica, depois de terem vivido a experiência brasileira de torna-viagem.

E é nessas centenas de milhares de compatriotas que partiram um dia, levados pela necessidade, que poderemos descobrir o mais genuíno português. O sêlo de garantia da continuidade nacional. Na mesma linha de pensamento em virtude da qual me sinto, mais do que nunca, um famalicence (de V. N. de Famalicão) quando por qualquer motivo, sofro a distância a separar-me do meu canto.

Em suma, nós, portugueses, somos essencialmente saudosistas. Disso mesmo se apercebeu Teixeira de Pascoaes, firmando em tal realidade uma corrente literária e escrevendo o seu "Saudosismo", onde tão bem vimos retratados. É longe de casa que ela mais nos apetece.  É por onde ficamos, em síntese, assegurados quanto à nossa portugalidade.

Dito isto, poderá alvitrar-se que ser português não é, assim, ir além do folclore. Bom, questões há em que os argumentos de fé dificilmente se coadunam com os argumentos racionais. Será o caso. Mas a globalização é um facto. A moda universal, uma imposição. E o Portugal do mapa um lugar mal gerido, pouco defendido, se não mesmo desprezado. Todavia, quem, de nós, parte normalmente regressa para ficar.

É a adversidade que faz os portugueses. Que os distingue como os artistas do improviso, que sobreleva os seus símbolos, os seus garantes de continuidade. Incluo, entre estes, a nossa Lingua, as nossas tradições, mesmo (porque não?) os nossos heróis. A nossa História, enfim. Ou o nosso Futuro, porque sem Futuro não há História, mas apenas arquivos mais ou menos interessantes, menos ou mais poeirentos.

Passageiros para todos os continentes. Lutadores. Eis o que nós somos, portugueses. Eternamente saudosos da nossa Pátria, jamais desacreditando que Ela reengrandecerá um dia - o dia ansiado do nosso regresso ao lar.

Ser pessimista, como se depreende, não significa ser incréu...