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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Recantos inesquecíveis

João-Afonso Machado, 03.08.11

A incontornável Bento de Freitas e as suas histórias de sempre! Alguém esqueceu estas três casas mandadas construir pelo Major de Cavalaria Alberto Cardoso de Meneses (Margaride), ainda agora propriedade dos seus netos?

Por elas correram notícias ansiosas, quando em Angola se combatia também a I Grande Guerra; ou quando o Major Alberto Margaride assumiu o Governo Civil do Porto durante o consulado sidonista; ou quando comandou a coluna militar enviada a Vila Real para submeter a 6ª Divisão rebelada; ou, enfim, quando à Monarquia do Norte se sucedeu, inevitávelmente, o exílio em Espanha...

Sobrevieram tempos de muito melhor disposição. Tempos já nossos. Todas as moradias eram habitadas, no Verão, por matilhas de fox terriers, alguns verdadeiras feras, e a do meio por um assustadíssimo e vigiadissímo (não fosse o diabo tecê-las...) casal de gatos siameses. Os quintais tinham galinhas, o leite era comprado todos os dias, à porta, vindo em bilhas, medido aos quartilhos... E, com as suas canastas, os seus pregões, as peixeiras enchiam as ruas matinalmente. Essas ruas hoje de um sentido só e onde não há lugar para estacionar...

 

Mordomias estatais

João-Afonso Machado, 03.08.11

Curiosamente, vamos constatando a dupla incumbência do Governo em funções: denunciar os abusos do Passado e explicar os apertados caminhos do Futuro. Ainda ontem, assediado por uma horda furibunda de deputados oposicionistas, o Ministro Álvaro Santos Pereira, além de justificar a necessidade de rever e aumentar os preços dos transportes - sob pena de ficarmos apeados - fez um pouco de luz acerca daquilo que, aliás, todos imaginávamos, sabiamos ser certo.

Pormenorizou sobre as viaturas do Estado. Os muitos "carros de alta cilindrada", nas suas palavras. Esses em que nós os vemos passar por aí, rodeados de escolta motorizada e muitas sirenes. Objecto de contratos de leasing "blindados", significando centenas e centenas de milhares de euros em encargos estatais.

Uma escolha socialisticamente direccionada para os Audi, os Mercedes, os BMW. Enquanto os franceses, por exemplo, orgulhosos das suas próprias marcas, consideram o Poder não minimizado deslocando-se em Citroens, Peugeots...

Talvez nada disto fosse excessivamente importante se a notícia televisiva seguinte não abordasse a afluência das famílais carenciadas à Caritas. De 2010 para cá, o número triplicou. Trata-se de uma "pobreza envergonhada, que não se manifesta e não faz buzinões", esclareceu um responsável daquela instituição.