S. João tripeiro
«(...) Ontem mesmo insisti em tentar decifrar o S. João. Espiei-o da minha varanda e captei-lhe os gestos no pátio dos vizinhos do rés-do-chão. O Sr. Fraga e a D. Amélia. Ele de calções e camiseta, com uma barriga de quem tragou inteiro o cabrito do jantar; ela, igualmente nédia, muito dada à transpiração, de braços poderosíssimos e vestido sem mangas. Agarram-se os dois e dançam amorosos, sob o colorido dos lampiões de papel. Os convidados - alguns casais amigos, silhuetas semelhantes - seguem-lhes as pisadas "e para quem tiver sede a cerveja está ali"...
Enquanto isso, vou perdendo a conta às dezenas e dezenas de balões que, lançados de toda a parte, enchem o céu da cidade e fazem o delírio da miudagem. (...)».
(in Estrada Real, nº 4, Maio/Junho 1999)





