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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

S. João tripeiro

João-Afonso Machado, 23.06.11

«(...) Ontem mesmo insisti em tentar decifrar o S. João. Espiei-o da minha varanda e captei-lhe os gestos no pátio dos vizinhos do rés-do-chão. O Sr. Fraga e a D. Amélia. Ele de calções e camiseta, com uma barriga de quem tragou inteiro o cabrito do jantar; ela, igualmente nédia, muito dada à transpiração, de braços poderosíssimos e vestido sem mangas. Agarram-se os dois e dançam amorosos, sob o colorido dos lampiões de papel. Os convidados - alguns casais amigos, silhuetas semelhantes - seguem-lhes as pisadas "e para quem tiver sede a cerveja está ali"...

Enquanto isso, vou perdendo a conta às dezenas e dezenas de balões que, lançados de toda a parte, enchem o céu da cidade e fazem o delírio da miudagem. (...)».

 

(in Estrada Real, nº 4, Maio/Junho 1999)

 

Aqui

João-Afonso Machado, 23.06.11

A grande bola de fogo não deixa explicar porquê aqui. Decerto porque a gaivota também, sem saber, sem sequer querer saber. Mas é aqui. Onde esvoaçam em circulo sentimentos milenares, nascidos, enraizados, invencíveis. De aqui me afasto, aqui volto sempre.

Como a gaivota. Milenarmente, irresistivelmente. Instintivamente. Apenas num abraço de asas incansáveis, como se ouvisse o seu piar triste mas alegre, conformado e inconformado: aqui, aqui, aqui.

 

Depois destes, outros virão

João-Afonso Machado, 23.06.11

Fim-de-semana acalorado, prenúncio de tempos de animação. Assim comece a miudagem a sair do casulo, logo ensaiando os primeiros mergulhos. Longe da praia, onde já quase não se cabe e o vento e o nevoeiro alternam entre si, a estragar-nos os programas.

No Interior. Com muitas crianças e muito barulho. Junto às pedras que são o testemunho discreto de gerações e gerações de novos indo para velhos. De velhos que é como se estivessem sempre connosco, de novos que acreditamos jamais deixem de estar. No andar dos séculos, como se as horas, os minutos e os segundo ficassem suspensos no ar. Sempre crianças. Eternamente azuis.

 

À mesa no "Avenida"

João-Afonso Machado, 23.06.11

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«(...) não sei o que me levou lá, mas ainda agora trago comigo a sensação que me fez cativo daquelas mesas de ninguém, tardes após tardes. Um rés-do-chão elevado, como uma esplanada coberta, sobre o passeio, e a mais completa ausência de palavras. Sentada a um canto, envolta em hipnotizante tristeza, uma rapariga e o seu cafezinho há muito bebido. Sem outro gesto que não fosse o de levar o cigarro à boca. O cigarro e depois um mais, e mais um... Como se pairasse numa nuvem de fumo, a olhar sem fé para a rua. Quem seria, de onde viria?, tão bonita que ela era e se percebia ser, por baixo do seu trajar freak. Partilhei o seu silêncio, numa colecção de horas, que aumentava sempre que a resignada melancolia da sua expressão me vinha à ideia. Abalava então para o "Avenida". (...)»

 

(in Famalicão - Recordações de uma Vila, ed. Círculo de Cultura Famalicence)

 

Última hora: FMI pede audiência a Pinto da Costa

João-Afonso Machado, 23.06.11

O Fundo Monetário Internacional, confrontado com as sucessivas crises europeias e, sobretudo, com o iminente colapso grego, fez chegar à F. C. do Porto SAD, oficialmente, a solicitação para um encontro (a realizar no Estádio do Dragão, pelo que se conhece) com o seu Presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa.

Na verdade, referem fontes fidedignas, o êxito empresarial da referida SAD, avaliado pelo extraordinário crescendo das suas exportações e pela sua influência decisiva na nossa balança comercial, não passarou despercebido aos dirigentes do FMI.

O intuito da aludida cimeira consistirá, assim, em ouvir de Pinto da Costa uma abalizada opinião sobre o futuro da Economia nacional. E, quiçá, em convidá-lo ainda para consultor daquela Instituição.

 

A propósito da "Geração à rasca"

João-Afonso Machado, 23.06.11

De avós para netos, o desenvolvimento é notório. Eles agora são mais conhecedores, melhor preparados (serão?), mais fortes e robustos, mais atléticos.

Tudo o indica - capazes de performances muito superiores.

Falta-lhes, porém, o espaço para demonstrarem as suas potencialidades.

A vida é um engarrafamento continuo e o trânsito, assim, não anda para a frente.