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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

João-Afonso Machado, 21.06.11

Mais para Norte. Um tudo nada mais a Norte. É lá. Onde as casas se vestem de hera e as árvores contam histórias de verdade nos jardins. E o vento uiva mas não mente. Nem intriga. Lá, onde o tempo não escalda nem enregela. Onde o tempo é o Tempo e não pára, não trai. Não foge e transporta-nos com ele, de cara ao alto, sempre fiel. Lá, enfim, em solo firme de palavras com as sílabas todas, dessas que não voltam atrás, cuspindo-se para fora do discurso.

É lá, e eu sei onde é.

 

Requisitos de governamentabilidade.

João-Afonso Machado, 21.06.11

Na edição do JN de hoje lê-se o seguinte título: «Ministra deu contratos chorudos a amigo no PS». É a história de um contrato de prestação de serviços celebrado entre o Ministério da Educação - no tempo da pertinaz Lurdes Rodrigues - e o advogado João Pedroso. De acordo com a acusação já deduzida pelo MP, o Estado foi lesado em mais de 300 mil euros.

Sobre os factos - aliás tornados públicos pela Imprensa - não me pronunciarei. Os mesmos envolvem um colega de profissão e respeitam ao exercício dessa mesma (sua e minha) profissão. Logo...

Apenas interessará realçar que este é o tipo de situação absolutamente inverificável no momento dramático que Portugal atravessa. Penso, é claro, nos actuais governantes. Na Direita, que é o meu espaço político. Tem-se discutido muito se a experiência partidária, nesta altura, há-de prevalecer sobre os conhecimentos técnicos dos membros do novo Executivo. É alarmante a circunstância de ninguém referir - um e outro aspecto nada valem não sobrexistindo total inatacabilidade ética.

Como pedir, e esperar, dos portugueses os descomunais sacrifícios que se avizinham sem manter a folha de serviços sempre impoluta de qualquer tipo de ilicito ou suspeição?

 

Descontraindo...

João-Afonso Machado, 21.06.11

A gente passa o dia à secretária, em casa, de volta dos processos, da papelada, dos escritos. Na companhia do ancião, a quem as pernas pouco ajudam, coitado. Nada como um fim de tarde ao ar livre, de arma na mão, a olear a pontaria para depois do defeso.

Em Matosinhos, no Clube de Caçadores. Para onde convergem os amigos, ora mais, ora menos, no arrear das terças-feiras. A dar uns tiros aos pratos.

O ancião também foi. Na maior excitação enquanto ouvia o estampido, seu companheiro de tantos anos. Fartou-se de ladrar e esboçou o seu passeiozito pelo campo, decerto na vã esperança de alguma perdiz aninhada entre a vegetação.

Comecei bem e acabei assim-assim. O sol poente é, para tanta coisa, dos mais belos e úteis laranjais. Mas não para fazer de pano de fundo do lado de lá dos canos da espingarda.

E, sei-o perfeitamente, fica mal a imodéstia. Mais ainda a gabarolice... A verdade, porém, é que ganhei folgadamente a pranchada. Vamos a ver se na próxima semana o ritmo se mantém.

  

 

"Feminina"

João-Afonso Machado, 21.06.11

Num derradeiro arranco de palavras

escrevi a história toda, menina.

Redivivos

anos e anos, tantos anos,

e uma lágrima a cada esquina.

 

Desde as vinhas outonais,

pairando junto ao céu,

o monte, o levante

das perdizes e o véu

sobre o rio, a neblina.

Adiante, adiante,

sempre avante

até ser noite, menina.

 

É, a cidade foi depois.

Horas, desencontro e fugas.

Um e um

nunca somámos dois.

Anos e anos, tantos anos,

dores, infortunio, rugas.

Muitos mil desenganos...

e essa sempre esquiva miragem,

além, além, além,

plange o sino da outra margem. 

 

Nos tempos que correm...

João-Afonso Machado, 21.06.11

Era um exagero, então. Em pleno inverno, antes ainda do dia nascer, os homens saíam à rua, envoltos em oleados, a lancheira atada à bicicleta e um valente par de quilómetros por percorrer, até ao emprego. Cumprida a jornada, o mesmo percurso em sentido inverso, nas subidas mais íngremes resignadamente a pé...

Vieram as motorizadas, os automóveis popularizaram-se... e a bicicleta transformou-se em brinquedo.

Entre um extremo e o outro, sobressai a sensatez de uns tantos. Dos holandeses, por exemplo. É certo que a planura ajuda. Mas, ainda assim, também por cá nem tudo doi como as serranias. E a poluição é muita, o combustível encarece a toda a hora, a crise assola o País.