No topo da Basílica
O elevador seria egoísmo, comodismo, ingratidão. O percurso a pé, o único admissivel para quem goza da graça da saúde. E a cúpula da Basílica de S. Pedro, mais de cem metros acima do solo, uma obrigação subida helicoidalmente.
Esvai-se a noção do tempo na sucessão dos patamares. Roda-se. Sempre em rampa fechada ao exterior. No termo da primeira fase é o varandim, já próximo da abóboda de Miguel Ângelo, e pequenos pontos negros formigando no fundo - os visitantes movimentando-se nos mármores e mosaicos do piso da entrada.
A ponta final complica-se. A inclinação do tecto da cúpula faz-nos convictos de que o mundo adornou. Sobrevém a claustrofobia, as vertigens. O corredor estreita, degraus altos e curtos, difíceis. Há quem volte atrás, gera-se o caos na circulação. Mas porquê temer? Porque não o silêncio?
Enfim a chegada à abertura da lanterna. Cá fora, Roma inteira, o Lácio e as suas colinas ("castellos"), a vida de cada um acenando ao longe, do outro lado da neblina...

