Afinal quem nos limpa as escadinhas?
Pronto, por ora acabou a brincadeira. Finalmente! Um pouco de sossego é sempre bem vindo.
É que não há quem segure os gaiatos. Eles berram, eles cantam, eles juntam-se em trupes, cada um com a sua bandeira, rua fora... E volta e meia zangam-se, cai pancadaria. É um alívio vê-los regressar às aulas, mais a mais com os exames pela frente e os mestres rigorosos, severos, a exigirem-lhes provas todos os dias.
Traquinices... O diacho é o rasto de desarrumo deixado por aí. Desta vez, os piores foram os moços do Jerónimo. Não é que lhes deu para pintar as escadinhas do bairro e fugir sorrateiramente? E agora quem as limpa? Nós? Por alma de quem, sempre me dizem?
E o Sr. Prior, para o ano, na visita pascal? Só se lhe explicarmos que a foice e o martelo são para sacrificar o cordeirinho. Mas não, ali a vizinha desata já num alarido, que não suporta ruindades aos bichinhos. Só se taparmos aqueles gatafunhos com um tapete de flores. Ao preço que elas estão no mercado, Senhora, onde vai a gente arranjar o dinheirinho?
