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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Assim se vê a força... da diferença

João-Afonso Machado, 02.06.11

Esta foto é minha. Logo, eu estava lá e assisti. Esta tarde, na Praça D. João I, no Porto, durante os preparativos do comício do PSD. O aficcionado socialista passou, saudou os presentes com um "filhos da p..." geral, soltou mais uns tantos impropérios e seguiu, não sem antes escarrar num toldo com a sigla laranja.

Nem a segurança nem os demais intervieram. Não valia a pena. À selvajaria responde-se com o silêncio, o desprezo absoluto. Sorte do rapaz, era tudo gente diferente dos símios, já aqui referidos, de Vila Franca de Xira, Torres Vedras e de outras localidades onde nem todos veneram Sócrates.

 

"Casa minha"

João-Afonso Machado, 02.06.11

A vida são

o crer e em caminho,

 

partida, chegada,

sorrir e sofrer.

 

Ditos, comoção,

gritos, coração.

 

Sonharias, nosso nome,

viver a vida

sozinho, sem ela?

 

Tão longe de vencer,

longe de permanecer,

sempre, sempre,

Casa de Pindela.

 

Homenagem ao ié-ié

João-Afonso Machado, 02.06.11

A música ié-ié! Se, no seu tempo, alguém, por cá, pensaria a moda tinha fim, substituida por outra qualquer.

A fazer fé na minha memória, foi com os Beatles, e o seu êxito She Loves You, que o termo surgiu. Porque - She loves you, yeah, yeah, yeah...

Entre a lusa rapaziada nova, o nacional-cançonetismo baqueou. Os Sixties também chegavam a Portugal, para enorme contrariedade dos nossos salazarentos hábitos e gostos. As estrelas francesas e inglesas iluminavam então as matinés ié-ié do Monumental, inclusivamente visitado por Adamo e Sylvie Vartan. E organizaram-se concursos de dança, tardes de folia e alegria, garagens em euforia, noites de telefonia.

Era o possivel, nessa época.

O retrato acima invoca, justamente, uma dessas maratonas balilarinas, em 1965, no agora defunto cinema do Saldanha. Atente-se nos trajes (vá lá, o jovem à direita assemelha-lhe vagamente ao new-waver Elvis Costello...) e, sobretudo, na felicidade dos intervenientes. Quem pouco tem, muito goza o que tem!

O ié-ié não cabe nas mega-discotecas de hoje. De onde saimos com os ouvidos completamente batucados e o corpo dorido de tanto encontrão. Não, o ié-ié precisa de todo o espaço de um coração que saiba recordar emocionadamente - ou mesmo com uma saudável ponta de inveja das gerações logo após - esses conjuntos, esses ritmos, esses nomes e esses namoros de uma juventude diferentemente vivida.

Nos fins do século passado, Luis Ferreira de Almeida, em dois CD's admiráveis, reuniu alguns imortais temas do ié-ié. Tenho-os e não empresto.

 

Quando não havia sentido único...

João-Afonso Machado, 02.06.11

... e os Chrysler Windsor circulavam nas ruas e estacionavam à vontade.

«Nessa época, só o melhor teria direito a Aurora. O mais galante, o mais poderoso, o sonho maior da artista, rodeando-se de luxo e atenções. Só valiam candidatos motorizados. (...).

Aurora gostou da primeira abordagem. Nas grandes capitais não lhe dispensariam mais cortesias, ponderava ela, com a cabeça povoada de dizeres dos viajantes. E se ultrapassada fora a época das carruagens, com a graça de Deus chegara enfim a dos automóveis, um rápido bater de portas e a potência dos motores voando para espaços inesqueciveis, ceias requintadas - e a solicitude dos empregados ajudando-a a esquecer os insultos dos empresários teatrais. Como quando a enxotavam do seu cantinho, ala que o pano já vai subindo...».

 

(de Aurora de Torres, in Contos do Tempo, ed. DG Edições, 2008)

 

Campanha de Sócrates - esmerado almoço em Torres Vedras

João-Afonso Machado, 02.06.11

Se se apressarem a consultar as notícias do Sapo, ainda verão. Senão, talvez logo na TV. Foi um almoço e tantas! Em Torres Vedras.

Sócrates tinha à sua espera (mais) um protesto - desta feita, o da Associação de Pais do Externato de Penafirme, à porta do restaurante onde, depois do repasto, seria o comício. Querendo interpelá-lo, muito curialmente saber dos apoios de que o estabelecimento carece. Mas o 1º Ministro candidato a 1º Ministro, como é seu hábito nestas circunstâncias, escapuliu-se, provávelmente vinha atrasado e com fome.

Ficou, assim, a despesa dos esclarecimentos a cargo de um deputado (é-o, conforme se alcança de algumas palavras perceptíveis no meio da algazarra...) e do Presidente da Câmara anfitreã. Isso mesmo: literalmente - anfitreã. E guardiã.

A cena é triste, o edil é malcriadissimo, há um outro que se mete pelo meio, tudo de dedo espetado, ameaçadoramente, e apenas a intervenção de um agente da PSP fez recuar os ditos (improvisados ou não) guarda-costas de Sócrates.

Vale a pena ver. O perfil republicano-laico-socialista de há 100 anos está ali bem retratado. Continua a rufiagem. Prossegue esta democracia de cacete na mão. Felizmente o Pai da linha da frente era encorpado q. b. Quem atentar no video logo concluirá sobre o Estado Social que lhe calharia em sorte, se assim não fosse.

A não perder.