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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Cristo-Rei

João-Afonso Machado, 12.04.11

Há-de ser precisa uma benção especial - lançada sobre o Terreiro do Paço, na simbologia que Portugal ainda não esqueceu. O fim-de-semana foi elucidativo.

A apoteose de Sócrates no seu Congresso. A mobilização socialista em torno de si. O regresso despudorado de uns tantos figurões. A sua estratégia de combate, que já se adivinha. Sem ponta de vergonha, mas com uma eficácia garantida.

E da parte do PSD?

Preocupantemente, nada de significativo se detecta. Fernando Nobre deixou o País a rir. Passos Coelho... para o bem ou para o mal, falta-lhe falácia, atrevimento.

O PS sabia-o. O plano, há meses gizado, vai sendo seguido à risca. O objectivo é a maioria absoluta em Junho.

Cristo-Rei nos livre!

 

 

 

 

Por acaso não vim do Congresso...

João-Afonso Machado, 10.04.11

O rapaz latia excitadíssimo, corri a ver o que se passava. Ela, crispada, o olhar fixo, gelado, retesava-se, escamas, articulações, tudo aquilo rangia.

E bufava, silvava, lançava a cabeça em golpes bruscos para a frente. O rapaz não é tolo, alguém lhe ensinou que as cobras-rateiras mordem e são venenosas, de modo que não saíamos dali. Deu para o retrato em quadruplicado. Porque, finalmente, quando poisei a máquina para a apanhar pela ponta da cauda (única maneira de evitar uma valente ferradela), a bicha, fulminante, escapuliu-se pelos buracos das pedras.

A avaliar pelas dimensões, já deve ter uns anitos. Acordou agora, nestes dias de calor, da sua hibernação.

 

 

La Lys

João-Afonso Machado, 09.04.11

MONUMENTO GG.JPG

«O acrescento do poder combatente nominal de Estados menores - de Portugal (que se tornou participante em Março de 1916), da Roménia e até da Itália - não melhorou a força dos Aliados mas, pelo contrário, diminuiu-a, na medida em que os inevitáveis insucessos que sofreram acabaram por obrigar à diversão de recursos para os enquadrar» (John Keegan, The First World War, págs. 346-350).

 

Foi isso! A participação portuguesa na I GG obedeceu apenas aos propósitos egoístas do Partido Republicano (ou Partido Democrático, como então se intitulava), interessado - numa época em que a República portuguesa metia água por multiplas frinchas - em assegurar o reconhecimento diplomático da Grã-Bretanha e em afastar para longe do território nacional os oficiais e as tropas que, a todo o momento, se podiam sublevar e pôr termo à sua prepotência.

Da parte dos ingleses, até à última foi contrariada a vontade intervencionista do Governo republicano português. Sabiam que, do nosso lado, só poderiam contar com contigentes mal armados e pouco preparados. Até cederem face à insistência dos «democráticos» cá da terra.

E assim foi constituido o Corpo Expedicionário Português (CEP). Com a manha política dos afonsistas e a valentia e abnegação dos soldados portugueses. Com quase nada mais.

De desgraça em desgraça, o CEP viu-se envolvido na batalha de La Lys. A 9 de Abril de 1918. Resultado final: 2.000 baixas, entre mortos, feridos e prisioneiros.

(A 4ª Brigada, do Minho, constituida por Infantaria de Braga, Guimarães e Viana do Castelo foi a que mais perdas sofreu).

Enfim, a nossa ida à guerra custou-nos, a final, 8.300 vidas. Mais difícil será contabilizar os feridos, estropiados e gazeados...

E para quê? Porquê?...

A mais mortífera e escusada hecatombe em que os portugueses alguma vez participaram é hoje, pela hipocrisia republicana, comemorada como um acto heróico, quiçá democrático, anti-imperialista. Uma façanha, enfim.

 

O drama Mc Donald

João-Afonso Machado, 08.04.11

Aberdeen, em Agosto de 2009. Nas imediações de um casamento. Abordei o personagem e perguntei se aquilo era a sério. Quero dizer, se não fora contratado para a festa, enfim, membro do grupo folclórico local... Sorriu condescendentemente e respondeu que não. Era um Mc Donald genuíno e aquelas as cores do seu clã.

Um pouco a medo, pedi licença para uma foto. Claro!, porque não? E fez pose imediatamente, com toda a naturalidade.

Olhei à volta e reparei então: muitos outros kilts, muitas outras cores, o gaiteiro esmerava-se anunciado a chegada de cada magote de convidados. Todos assim trajando.

Coitados dos Mc Donalds, pensei, confrontados sempre, entre aqueles ilustres da Escócia, com a sua parentela espúrea, americanada, os Mc Burger.

E a festa prosseguiu. Com beleza e distinção. A noiva enchouriçada em demasia, creio. Gorda. Seria Mc Burger?

 

O impagável Jerónimo

João-Afonso Machado, 07.04.11

O líder do PCP - um partido com milhares e milhares de militantes e a militância de uma opinião sempre colectiva - apelou recentemente à "formação de um governo patriótico e de Esquerda". Na - ou no - qual não inclui o PS. Apenas - e eventualmente - o BE.

Jerónimo de Sousa sossegou os portugueses, a tal respeito, afirmando que "os patriotas e as pessoas sérias não estão só no PCP".

Em estrita obediência à lógica, resulta que - no universo partidário - haverá, assim, apenas "patriotas e pessoas sérias" no BE, em relação a quem o PCP, aliás, não tem "preconceitos".

O que acrescentar? Saneada a Direita da proposta eleitoral comunista, nela mantidas reservas quanto ao BE e afastado o PS, será que sobrarão elegiveis patriotas e sérios (de Esquerda) para convencer os eleitores?

A pergunta acredito faça sentido. Do lado oposto do espectro partidário pensar-se-à o mesmo. E os portugueses lá vão, à margem destes filósofos - cantando e rindo, quiçá...

 

O regresso da União Ibérica

João-Afonso Machado, 07.04.11

Reconheço a minha perplexidade. Mas não se trata de uma atoarda nem de dizeres cáusticos lançados (e escutados) aqui e ali. Parece ser verdade: cada vez há mais adeptos - portugueses ou espanhois - da sempre famigerada União Ibérica.

Essa a conclusão de um inquérito levado a cabo pela Universidade Complutense de Madrid e pelo Centro de Investigação e Estudos de Lisboa. Concretamente, dos nacionais abordados, 46% pronunciaram-se favorávelmente, em 2010. No ano anterior, a percentagem era de 39,8%. Esta última, sensivelmente idêntica à dos espanhois, na actualidade.

Acrescente-se que a aludida pesquisa, já agora, peca por defeito: omite a pergunta - Reino da Ibéria ou República Ibérica?

Porque quanto à capital do nóvel Estado, as hipóteses só podem ser duas (digo eu) - ou Braga, cujo Arcebispo sempre foi o Primaz das Espanhas; ou Santiago de Compostela, onde vão dar todos os caminhos da Cristandade peninsular.

 

 

Quem será mais rico?

João-Afonso Machado, 06.04.11

A interrogação parece-me pertinente, salvo para quem quiser manter os preconceitos do politicamente correcto. É hoje notícia nos jornais o congelamento, pelo BCP, de uma conta de 14 milhões de euros constituida na zona franca da Madeira.

A titular da mesma é a LAP Overseas Unipessoal, empresa de que é proprietária a Libya Africa Investment Portfolio, por sua vez sob o controle da Autoridade de Investimento Libio, um fundo de investimento no estrangeiro. Totalmente debaixo da garra de Khadafi e da sua familia, e destinado a financiar o seu regime tribal.

Esse regime que durante anos nos explicaram ser o paraíso dos não-alinhados, dos opositores ao imperialismo.

A pergunta, finalmente, é a seguinte: Khadafi ou a Rainha de Inglaterra? Qual a maior e a mais respeitável fortuna?

(É que a Madeira não passa de uma gota no oceano off-shore; e a Grã-Bretanha não está em guerra civil...).

 

O superavit (portista)

João-Afonso Machado, 05.04.11

Os números não mentem e não são manipuláveis. Situemo-nos na época futebolística de 1977/1978, em que, ao fim de quase 20 anos de jejum (como se diz na gíria) o F. C. do Porto venceu o Campeonato Nacional.

Até então, somava no seu palmarés 5 títulos nesta competição. Hoje vai já em 25.

Quanto ao Benfica: 23 títulos nessa época, para 32 na actualidade. E o Sporting, 14 e 18, respectivamente, antes e depois daquela referência.

É claro, tenho-me farto de ler por aí, estes 20 troféus portistas, em 33 anos, devem-se à venalidade dos árbitros, ao terrorismo de Pinto da Costa e a uma série infinda de crimes que, bem vistas as coisas, não explicam os insucessos do Benfica e do Sporting, mas levantam duas questões muito pertinentes. Quais sejam elas:

- Corrupção e manobras similares caem na alçada do Poder Judicial. É este, na III República, mais permissivo do que na II?

- Ou, ao invés, a II República favorecia, então, os clubes da capital?

Num caso, ou no outro, o Regime nunca fica bem na fotografia. A não ser que, desportivamente, aceitemos, há já umas décadas o F. C. do Porto é a melhor equipa portuguesa.

 

A propósito da democracia

João-Afonso Machado, 04.04.11

A 4 de Abril de 1973 principiava, em Aveiro, o 3º Congresso da Oposição Democrática. Já no estertor da II República.

Vieram personagens de vários quadrantes políticos. Marcaram presença muitas tendências contrárias ao Regime - desde aos católicos (ditos) progressistas aos monárquicos, de que era figura de proa o filósofo Henrique Barrilaro Ruas. Passando por socialistas e comunistas, sendo certo que estes constituiam a grande maioria.

O facto é que a República de então não gostou da iniciativa. Mas já não a podia travar. Somente intentou ainda restringi-la. Como? - Proibindo manifestações no exterior.

A imposição não foi aceite. Avançaram os congressistas para uma romagem à campa do escritor Mário Sacramento e para uma confraternização em piquenique. Tudo torpedeado por forças de segurança a pé e a cavalo, com cães, bastões e demais instrumentos dissuasores.

Um ano volvido, a II Repúbica conhecia o seu efeito - a III do nome. Aquela em que hoje vivemos. Onde continuam a funcionar os cães, os bastões e mesmo os cavalos. Sempre contra a indignação popular.

 

 

 

Ontem, no Porto. E hoje?

João-Afonso Machado, 03.04.11

A amplitude dos poderes de um "Governo de gestão", tão discutida, revelou-se, afinal, mais uma falsa questão. Sócrates já nem atende... Enquanto o seu antigo ministro das Finanças, Campos e Cunha, sustenta que "estamos a viver um filme de terror em que o drácula culpa a vítima de lhe sugar o sangue", e o próprio Mário Soares desdramatiza a entrada do FMI, lembrando que o enfrentou duas vezes, como responsável máximo do Poder Executivo, - enquanto isso, Sócrates berra e gesticula, comicieiramente, já em plena campanha eleitoral.

Ontem, no Porto. Onde será hoje?